quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Prosa e música

James Joyce referia-se à sua obra máxima – Finnegans Wake – como uma “sinfonia”.

Seu primeiro livro, de poemas, chamava-se Música de Câmara. batizado, segundo ele, a partir do som de urina num penico: chamber pot.

Reúne poemas líricos, de influência simbolista, feitos como letras de música. Um dos – Golden Hair – foi musicado pelo compositor inglês Syd Barrett, fundador da banda Pink Floyd.

Barrett compôs e interpretou a maior parte das canções do primeiro disco do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn. Depois, mesmo pirado, gravou dois belos discos.

Um deles, The Madcap Laughs, inclui o poema de Joyce musicado. A interpretação de Golden Hair, a seguir, foi gravada pelos colegas de Barrett na clínica na qual ele se encontrava internado.



A música permeia toda obra de Joyce. Ele estudou música e foi bom cantor. Quando jovem, esteve em dúvida entre a música e a literatura. Talvez tenha ficado entre ambas...

O escritor irlandês teve vários amigos músicos. Labutou pessoalmente pela carreira de um deles, um tenor, quando residiu em Paris.



Seu apego à música veio do pai, John Joyce, um cantor boêmio. Também legou o talento ao filho Giorgio, que chegou a fazer carreira como cantor.

Doctor Fausto, um dos últimos romances do alemão Thomas Mann, conta a história do músico Adrian Leverkühn, que, como o Fausto da lenda, vende a alma ao Diabo a fim de viver o suficiente para realizar sua grande obra.

O personagem foi inspirado no compositor Arnold Schöenberg que, com Anton Webern e Alban Berg, criou a música dodecafônica.

O escritor norte-americano Paul Bowles escrevia tão bem com as letras do alfabeto quanto com os pentagramas. O inglês Anthony Burgess era pianista e deixou várias composições.

O cubano Cabrera Infante iniciou a carreira como crítico de música e cinema. Seu romance Três tristes tigres é inspirado no intérprete e compositor Bola de Nieve.

Um dos melhores contos do argentino Julio Cortazar – O perseguidor – é inspirado no saxofonista norte-americano Charlie Parker.

A chamada geração beat reúne vários escritores norte-americanos talentosos: Jack Kerouac, William Burroughs, Allen Ginsberg, Neal Cassady, Gregory Corso, entre outros.

O movimento tem esse apelido porque reza a lenda que seus integrantes passavam parte do tempo tomando todas e ouvindo jazz.

Resumindo, a música sempre esteve por trás da prosa. Especialmente da antiga, quando ainda em versos.

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