domingo, 24 de novembro de 2013

Classificações de Pound

Ezra Pound (1885-1922) foi ignorado pelo primeiro modernismo brasileiro. O de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros.

Mas foi bastante valorizado pelos poetas concretos, José Paulo Paes, Mário Faustino e José Lino Grünewald e na segunda metade do século XX.

Além de nos ter legado o principal poema épico moderno, belísimos poemas líricos, um grande número de tradições de poetas de várias épocas, de vários idiomas, procurou formalizar um paideuma para os futuros escritores. 

No tocante à literatura, Pound alertava para que não se desse tanta atenção a críticas de indivíduos que não tivessem escrito nenhuma obra de mérito.

Ou seja, evitar "críticos semi-informados ou semipensantes". 


Ezra Pound

Dividiu os escritores em seis categorias...



No topo das quais colocou, por ordem de importância, os escritores “inventores”, aqueles que descobriram um processo em particular ou mais de um modo ou processo realmente determinante para a evolução da literatura.

Depois, viriam os “mestres”. Segundo ele, uma classe reduzida de inventores capazes de assimilar e de coordenar grande número de invenções anteriores.

“Diluidores”, a terceira categoria, seriam aqueles que seguem os inventores e produzem alguma coisa de menor intensidade.

Viriam então os chamados “bons escritores”, aqueles que trabalham mais ou menos bem, dentro de um estilo valorizado num período, mas têm importância historicamente limitada.

Os “beletristras”, a quinta categoria, seriam aqueles que sem chegar a ser mestres, desenvolveram um estilo em grau considerado razoável para sua época.

Por fim viria a sexta e última categoria: os “inventores de moda”. Aqueles que exercem alguma importância transitória, por anos, décadas até, mas depois somem do cenário e as coisas continuam como eram antes deles, como se não tivessem existido.

Pound não adotava a convencional divisão entre poesia e prosa. Mas fazia algumas distinções para caracterizá-las.

A prosa, segundo ele, permite maior representação factual, maior precisão, mas peca por ser menos concisa e exigir um número muito maior de palavras para se expressar que a poesia.

Para o desenvolvimento da literatura, as descobertas da poesia seriam muito mais relevantes para a prosa, do que o contrário.

Também dividia a poesia em categorias. Três:

A “melopeia”, poesia na qual as palavras estão carregadas, além de seu significado comum, de alguma qualidade musical que dirige os propósitos ou tendências dos seus significados.

“Fanopeia” – poesia cujos significados são atribuíveis às imagens ou à imaginação visual.

“Logopeia” – poesia que presa a dança do intelecto por meio das palavras, ou seja, que emprega as palavras não apenas pelos seus significados diretos.

Esta é a última a aparecer e, segundo Pound, aquela na qual menos se pode confiar.

Segundo o poeta, a melopeia poderia ser apreciada inclusive por um estrangeiro que desconhecesse a língua, mas que tivesse ouvido sensível.

A fanopeia poderia ser perfeitamente traduzível. E, quando boa o bastante, praticamente impossível o tradutor destruí-la.

Enquanto que a fanopeia, impossível de ser traduzida, era, paradoxalmente, aquela que parecia mais suscetível a ser transposta para outro idioma.

Ao introduzir alguém em literatura, sugeria fazê-lo examinar as obras nas quais a linguagem é usada com eficiência.

Por isso, definia como grande literatura aquela cuja linguagem era carregada de sentido no mais alto grau possível

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