sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Leva e traz de grandes formadores

O concretismo, surgido na década de 1950 em torno dos poetas e críticos paulistas Décio Pignatari, Augusto e Haroldo de Campos, sucedeu ao modernismo como escola formadora no país.

Tratou-se, na verdade, de um movimento estético internacionalista, com núcleos em vários países, sobretudo na Alemanha e no Japão. Eugen Goringer, por exemplo, expoente do movimento na Suíça, era cidadão boliviano.



Haroldo, Décio e Augusto

O movimento brasileiro, embora surgido em São Paulo, agregou artistas dos vários estados.


Aliás, no seu início foi melhor acolhido pela crítica do Rio de Janeiro. Graças, sobretudo, ao piauiense Mário Faustino (1930-1963), ao maranhense Ferreira Gullar (nascido em 1930) e ao carioca José Lino Grünewald (1931-2000).
 

Gullar e Grünewald fizeram parte do movimento, embora o primeiro tenha mais tarde se indispondo com algumas de suas propostas...

Na época em que Faustino, Gullar, Grünewald abriam as cabeças dos seus leitores, um dos principais homens de imprensa no Rio era um cidadão de origem austríaca: Otto Maria Carpeaux (1900-1978).

O nazismo o empurrou até nós. Aqui fez carreira ajudando a reformar a imprensa, se opondo ao golpe militar de 1964 e difundindo seus amplos conhecimentos sobre literatura com livros como História da Literatura Ocidental.




Imagem das primeiras edições de História da Literatura Ocidental

Também foi co-editor, ao lado de Antônio Houaiss, da excelente edição nacional da Grande Enciclopédia Delta Larousse.

Carpaeux teve formação das mais ecléticas. Na Europa fez cursos superiores de química, matemática, sociologia e literatura comparada. Ao lado de tudo isso, foi estudioso de música, de línguas e sempre se interessou por política.

Antes de dominar nosso português, já lia e escrevia em vários idiomas – dentre os quais latim, flamengo, catalão, galego e provençal.

Mas ao desembarcar no Brasil, em 1939, nada sabia da literatura brasileira e do idioma.

Um ano depois, em 1940, era contratado por um jornal do Rio de Janeiro, primeiramente para redigir artigos em francês, que eram traduzidos para o português.
 

Dois anos depois, em 1941, já dominava perfeitamente o idioma e não só dispensara tradutor, como se tornara editor do jornal.

Dos quatro, apenas o poeta, crítico de arte e comentarista político Ferreira Gullar continua na ativa como articulista de grandes jornais.
 

Mário Faustino iniciou sua carreira de jornalista muito jovem, aos 16 anos, em Belém (PA). Em paralelo manteve uma vertente acadêmica, de estudioso.

Perfil militante e aguerrido, parecido com o do Ezra Pound (1885-1972), foi um dos primeiros brasileiros a se identificar com o grande poeta
norte-americano.

Adotou o conceito poundiano de tradução crítica, da mesma forma que os concretistas. De resto, a produção poética de Faustino diferia bastante do movimento paulista, embora seguisse o mesmo rigor técnico.

Em 1948 o poeta piauiense dirigiu, com Benedito Nunes e Haroldo Maranhão, a importante revista Encontro, sobre filosofia e literatura.


Na primeira metade dos anos 1950 viveu nos EUA, onde estudou e foi articulista de jornais locais, para os quais escrevia diretamente em inglês.


A partir de meados dos anos 1950 dirigiu a página Poesia-Experiência, no suplemento literário do Jornal do Brasil, onde a poesia concreta paulista encontrou seu principal espaço.




Mário Faustino

Em 1962, infelizmente o avião no qual se encontrava sobre a Cordilheira dos Andes explodiu e o perdemos no auge da capacidade produtiva.


José Lino Grünewald chegou à imprensa carioca, como crítico de cinema, por intermédio do próprio Faustino.

Mudou-se para São Paulo e fez parte da edição da revista do concretismo, Noigandres, em 1962. Na capital paulista, dirigiu a página Invenção – sobre literatura e artes em geral – no Correio Paulistano.



Poema Pêndulo, de José Lino Grünewald

Divulgou no país ideias de Walter Benjamin e do chamado cinema de autor (Glauber Rocha, Eisenstein, Gordard, Alain Resnais, Bergman, Kubrick, entre outros).

Na década de 1980, concluiu a tradução para o português do principal poema épico moderno, Os cantos, de Ezra Pound.

Brevemente, este blog publicará texto do poeta piauiense Durvalino Couto sobre Mário Faustino, no qual trará mais detalhes sobre as ideias e produção do seu conterrâneo.

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