domingo, 24 de novembro de 2013

Prosa de alto nível pruduzida em puteiros

Willian Faulkner é um tipo dos mais esquisitos da literatura moderna.

Filho da aristocracia rural do Mississippi, derrotada pela Guerra da Sucessão, não era de forma alguma um racista. Vide sua literatura e suas preferências sexuais fora do lar, doce lar.

Ao contrário dos americanos típicos, era um baixinho, de pouco mais de um metro e meio de altura.


Willian Faulkner a caráter

Mas produziu uma literatura gigantesca. A meu ver, muito à frente de escritores como Ernest Hemingway, Jack Kerouac, John Steinbeck, entre outros escribas da gringolândia de grande popularidade.

No tocante às técnicas de narrativa, foi o único prosador norte-americano a se equiparar a um time do nível de James Joyce, Marcel Proust, Ferdinand Céline, Jorge Luis Borges, Lezama Lima e nosso Guimarães Rosa.

Suas invenções narrativas foram copiadas por diretores de Hollywood e adaptadas ao cinema.  Mas quando os mecenas da indústria cinematográfica o chamaram para criar roteiros, foi um fiasco.

Faulkner, debochadamente, tirou deles até o último centavo que pode e só produziu porcarias. Ao que tudo indica, de propósito...



Sua fidelidade era com sua literatura. E só. Para início de conversa, não escreveu para agradar.

Os cenários de suas obras se passam num país imaginário e em um condado, igualmente imaginário, com a denominação indígena de Yoknapatawpha.

Mantinha fidelidade nostágilca aos antepassados agricultores. Quase tudo o que ganhou com literatura – e roteiros de cinema– foi investido em sua pequena propriedade rural, onde residia com a famíla.

Num dos seus momentos de extrema dureza, um emissário foi avisá-lo que ganhara o Prêmio Nobel de literatura, em 1950.

Foi encontrá-lo imundo, à frente de um burro com o qual arava um pedaço de terra. Evasivo, questionou o cidadão se o valor a ser pago pelo "tal" prêmio dava para cobrir o custo do adubo que precisava para a lavoura.

Seu texto não é fácil. Quem gosta de literatura de consumo, com histórias bem resolvidas, textos fluentes, muitas emoções, etc., desista de lê-lo.

Terá de encarar seus longos parágrafos com períodos entrecortados, pontuação irregular, esparsa, senão inexistente, intercalados não raras vezes por parênteses e travessões que acolhem outros longos períodos.

Sua técnica de narrativa exige cumplicidade do leitor e muita concentração para acompanhá-la.

Personagens e cenas de um romance (ou conto) aparecem noutros sem muitas explicações; essa era uma maneira de forçar a barra dos leitores para lerem suas várias obras.

Histórias são narradas por diferentes pontos de vista. Também sem maiores explicações.

Mas tudo isso sob uma técnica e construção altamente apuradas.

Em casa, tinha mais a postura de um fazendeiro pobre e beberrão do que de escritor.

Histórias pitorescas sobre ele são inúmeras.

Era fervoroso frequentador de puteiros. Inclusive costumava a concluir suas obras em hotéis que funcionavam como prostíbulos, nos quais dispunha do que mais precisava: sossego para escrever e mocinhas morenas para relaxar as tensões do ofício.

Depois de várias tentativas de fazer dele um grande roteirista, um empressário de Hollywood pagou para que desaparecesse da Califórnia, porque estava transformando os roteiristas profissionais da casa em alcoólatras tão irresponsáveis como ele.

Esteve um evento literário em São Paulo, onde foi ciceroneado por Lygia Fagundes Telles, que levou cantadas atrás de cantadas dele.

Quando perguntaram, já nos EUA, o que tinha achado da viagem, respondeu lacônico: “Detestei Chicago.”

Não quis, com isso, menosprezar o Brasil. A verdade é que esteve por aqui tão abarrotado de uísque que não se deu conta de que tinha feito uma viagem internacional.

O ator Clark Gable, então a estrela máxima de Hollywood, foi a ele apresentado e perguntou: "Muito bem, Sr. Faulkner, o que o senhor faz para viver?" Ele respondeu: "Escrevo romances. E o senhor?"

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