terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Auge da literatura policial

O detetive Mandrake, o sedutor personagem criado por Rubem Fonseca em 1967, estreou na literatura policial nas páginas do livro Lúcia McCartney.

Não é propriamente um detetive particular, e sim um advogado criminalista. Porém, quando um crime cruza o seu caminho, persegue a solução até o fim.


Seu modelo, o próprio Fonseca cita nas páginas de um dos episódios, é o protagonista dos romances de Raymond Chandler (1888-1959), Philip Marlowe.


Raymond Chandler

A meu ver, Chandler é o melhor escritor de literatura policial de todos os tempos. Considero-o muito melhor que Dashiell Hammett, Agatha Christie e outros.

Sem desmerecê-los, claro.

Chandler, como Anthony Burgess, tornou-se escritor forçado pelas circunstâncias.


Tinha paixão pela literatura. Havia lido de tudo. A certa altura da vida, ficou em tal bico de sinuca para sobreviver que só lhe restou tentar a sorte como escritor...


Viera de família norte-americana rica, que possibilitou com que concluísse os estudos em Londres, onde trabalhou como jornalista free lance.

Na Califórnia, chegou à vice-presidência de uma empresa petrolífera.


Mas acabou por perder o emprego por problemas de alcoolismo e por ter se envolvido com uma conhecida mulher casada, o que causou um senhor escândalo.

Começou a escrever com mais de 40 anos. Em 1939 publicou The Big Sleep (À beira do abismo), o seu primeiro romance policial, no qual apresenta o detetive Philip Marlowe.


Marlowe seria o herói dos seus seis romances subsequentes: Adeus minha adorada, Janela para a morte, A dama do lago, A irmãzinha, O longo adeus e Playback.

Foi criado em homenagem a Christopher Marlowe (1564-1593), dramaturgo, poeta e tradutor inglês contemporâneo de Shakespeare.


Como o Marlowe de Chandler, o Marlowe inglês tomava tonéis de uísque. Era também um sujeito briguento e de personalidade complicada. Morreu esfaqueado numa briga.


Pulp Fiction, escrito e dirigido por Quentin Tarantino e lançado em 1994, baseia-se em um gênero de histórias policiais curtas no qual Chandler foi um dos mestres.


Influência de Chandler sobre Tarantino
Essas histórias eram publicadas em fascículos populares.

Chandler escreveu centenas de pulp fictions para ganhar regularmente alguns trocados, que eram gastos quase todos com álcool e farras com mulheres.


Embora tenha produzido muito, era um escritor sofisticado. Seu detetive beberrão e mulherengo citava amiúde trechos importantes de poetas e prosadores admirados pelo autor.


Os argumentos de Chandler, bem como a adaptação dos seus romances ao grande ecrã nos anos 1940, do século XX, tornaram-se uma grande influência no chamado filme noir americano.


Nos romances policiais noir, preto em francês, os personagens são mais humanizados. Os detetives nesse tipo de história costumam beber, brigar, se envolver em romances e sexo.

Como Philip Marlowe.

Também existem outras tramas paralelas à história, portanto não gira em torno de apenas um fato, mas vários.

Toda literatura de Chandler é assim.

Humphrey Bogart na pele de Philip Marlowe
Várias de suas histórias chegaram ao cinema.

Foi coautor, com Czenzi Ormonde, do roteiro de Strangers on a train, de Alfred Hitchcock (1951).

Seus livros que são meus preferidos: Janela para a morte (1942), A dama do lago (1943) e O longo adeus (1954), no qual cita o grande poema A canção de amor de J. Alfred Prufrock, de TS Eliot (1888-1965).


A prosa de Chandler é de alto nível, com muita inteligência, mistério (não para assustar o leitor, mas para levá-lo a raciocinar para desvendar o argumento), sensualidade e humor.


É um dos escritores populares mais admiráveis, ao lado do nosso Nelson Rodrigues.


Escreveu seis romances, 29 livros de contos policiais (a maioria pul fiction) e quatro de contos não policiais.

Além de sua obra em prosa, deixou livros de poemas.

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