segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Destino marcado

Na última edição, tratei da literatura de horror.

Um dos seus principais escritores na América Latina é o uruguaio/argentino Horacio Quiroga (1879 –1937).


Seus contos fantásticos e macabros honram a tradição da grande literatura do gênero legada por Edgar Allan Poe e H.C. Lovecraft.


Dividiu-se entre o trabalho como jornalista em Buenos Aires e suas atividades como fazendeiro nas regiões do Chaco e de Misiones.

Horacio Quiroga
Por isso grande parte de sua obra trata de temas relacionados à selva e ao pântano.

São trágicos, avassaladores...


Em sua prosa estão mesclados elementos da literatura naturalista com inovações de linguagem do modernismo.

Suas principais obras:

El crime de outro (1904)


Historia de um amor turbio (1908)


Cuentos de la selva para niños (1918)


Los perseguidos (1920)


Anaconda (1921)


La gallina degollada (1925)


Los desterrados (1927)


Passado por amor (1929)

Sua história de vida é marcada por tragédias familiares.


Morre-lhe o pai em acidente doméstico.O padrasto, vítima de paralisia, se suicida.


Junto com os amigos Leopoldo Lugones e Federico Ferrando, lia e debatia Poe, Baudelaire e os demais simbolistas.

Leopoldo Lugones
Aproximou-se por um período do grupo modernista latino-americano vinculado ao escritor nicaraguense Rubén Darío (1867-1916).

Em 1902, Quiroga mata acidentalmente com um tiro ao seu amigo Federico Ferrando. Deixa Montevidéu por Buenos Aires, onde se naturaliza argentino.


Na capital platense trabalha como fotógrafo e redator de jornal num turno e como professor em outro.


Consegue algum dinheiro e, em 1904, compra uma propriedade na região do Chaco, onde cultiva algodão.


Mas perde todo seu dinheiro em lavouras mal-sucedidas. Não enlouquece com os problemas porque continua a produzir sua literatura e a publicar livros.


Vende sua fazenda e volta a trabalhar como jornalista em Buenos Aires.


Novamente economiza dinheiro e compra novas terras, desta vez em Misiones, nas quais cultiva erva-mate.

Viaja com frequência de motocicleta de sua propriedade até Rosário, a mais de 100 quilômetros, onde mantém uma paixão por uma adolescente.


Os pais se opõem ao romance. Fracassa sua tentativa de raptar a garota e, por isso, perde uma indicação para se tornar juiz de paz da região.

O escândalo azeda-lhe as relações com a própria família.

Surgem outros casos extraconjugais, que aumentam ainda mais as desavenças familiares.

No período, escreve sobre Rudyard Kipling (1865-1936), Lev Tolstói (1828-1910) e outros escritores russos para revistas literárias de Buenos Aires.


 
Rudyard Kipling

Seus negócios na fazenda vão bem, mas as tensões familiares aumentam a cada uma de suas puladas de cerca.

Depressivo devido aos problemas pessoais, ao descobrir que tem câncer, Quiroga se mata ingerindo cianureto.

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