terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Erotismo sadomasoquista na moda

O Calendário Pirelli de 2014 traz para as borracharias de todo o país o sofisticado erotismo das lentes do fotógrafo alemão Helmut Newton (1920-2004).

Helmut Newton
É uma edição comemorativa aos 50 anos do calendário.

Presente de aniversário dos bons. Embalado em um pacote de tamanho extra-large, a nova edição da folhinha tem fotos inéditas realizadas por Newton em 1986.

Veja uma pequena mostra no vídeo a seguir:




Newton teve uma profissão por muitos invejada: fotografar mulheres lindas, da forma que bem entendesse...

Mas não foi fácil conseguir isso. Brigou com muita gente para impor seu estilo diferenciado.

Não dormiu com todas as fotografadas, mas teve affair com algumas.

Apesar de ter como assistente June Browns, sua linda esposa e também grande fotógrafa, que não saía da sua cola.

Jogos de espelhos comuns em suas fotos
Helmut Newton era muito louco.

Como o outro alemão desta edição – Kurt Schwitters – trabalhava o tempo todo.

Dia e noite fotografando e enfrentando problemas com os editores das revistas, pelo tratamento pouco convencional às imagens das modelos e atrizes clicadas.


June Browns, sua esposa e assistente
Fumava sem parar. Bebia muito. Tomava anfetaminas para se manter na ativa, psicotrópicos para dormir e era chegado às demais coisitchas que ativam o organismo.

Jogo de espelho: no fundo, ele, à direita, June Browns

Seu coração pifou várias vezes.

Costumava dirigir em alta velocidade. Na última crise cardíaca, estava ao volante do automóvel (a toda) na Califórnia e se arrebentou de vez.

Pernas, dama ao espelho e o fotógrafo ao fundo
Filho de um industrial judeu-alemão e de uma americana, desde muito jovem interessou-se por fotografia.

No início era repórter fotográfico.

De onde vem a força feminina?

Fugiu da Alemanha em 1938 para escapar à perseguição nazista aos judeus. Trabalhou para várias publicações no Sudeste Asiático e na Austrália.

Corpo e sombras: perfeição e deformação

Ao chegar à Austrália, ficou internado em um campo de concentração, assim como muitos outros "estrangeiros inimigos" (de ascendência alemã).

Cobriu guerras e várias catástrofes como correspondente de jornais ingleses. Em 1946, depois de quase morrer de infarto, passou a fotografar somente moda.


Modelo Jenny Captain de perna quebrada

Nos anos seguintes viveu entre Londres e Paris, e trabalhou principalmente para a Vogue francesa.

Criou um estilo muito particular de fotografia, marcado pelo erotismo, frequentemente com alusões fetichistas.



Amazona cavalgável

Suas brigas com os editores da Vogue eram constantes. Não fazia concessões. Fotografava o que queria. Se resistiam a publicar, preferia perder dinheiro do que refazer o trabalho.

Seu estilo remete à decadência alemã. Um pornô chic com pinceladas (mais ou menos sutis) sadomasoquistas.


O fotógrafo e seu principal fetiche moldurado
Chegou a ser acusado de gigolô de senhoras endinheiradas. Dizem que nos tempos difíceis, quando ainda era jovem e bonito, realmente viveu dos bons préstimos de algumas madames.

Suas fotos destoam de tudo que a Vogue publicava.



Répteis também gostam

São situações complexas, com muitos detalhes de sombra e luz, em ambientes decadentes, com alta voltagem erótica.

Saboreiem, pois, o Calendário Pirelli deste ano.


Esta dica é sobretudo para os amigos fotógrafos. Dentre os quais Juan Carlos Carabetta, Lilica e Adriano Rosa.

Outro grande fotógrafo de abordagem sadomasoquista foi o norte-americano Robert Mopplerthorpe (1946-1989).

Robert Mopplerthorpe

Excelente também. Mas é outro estilo.

Merece um bom papo à parte.

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