sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O rei do samba

Geraldo Pereira (1918-1955) foi o criador do samba sincopado ou samba de breque, que consagraria mais tarde o grande intérprete Moreira da Silva.

É considerado um dos três principais compositores da era áurea do samba, ao lado dos seus contemporâneos Noel Rosa (1910-1937) e Wilson Batista (1913-1968).


Das cerca de 300 músicas que compôs, pelo menos 70 estão entre as mais gravadas da história do samba.

Geraldo Pereira
Entre os seus principais intérpretes estão cantores de várias gerações: Moreira da Silva, Ciro Monteiro, João Gilberto, Gal Costa, Paulinho da Viola e Jards Macalé.

Você já deve ter ouvido algumas das composições abaixo na voz de algum dos relacionados acima:


Acertei no milhar, Falsa baiana, Chico Brito, Bolinha de papel, Se você vier chorando, Ministério da Economia, Escurinho, Pedro do Pedrugulho, Pisei num despacho, Onde está a Florisbela e Ainda sou seu amigo.


São todas dele...




Chico Buarque e Zizi Possi também gravaram músicas dele.


Entre os intérpretes mais antigos, suas canções foram gravadas por Aracy de Almeida, Patrício Teixeira, Isaura Garcia, Dircinha Batista, Odete Amaral, Alcides Gerardi, Carmem Miranda, Roberto Silva, Heleninha Costa e Marlene.


Sua batida diferente de samba ao violão foi muito ouvida por João Gilberto para desenvolver a batida padrão da bossa nova.

Clique aqui e ouça Bolinha de papel (de Geraldo Pereira) com João Gilberto.

Clique aqui e ouça o disco Meu amigo Geraldo Pereira, na voz de Nadinho da Ilha, com cerca de 20 canções do compositor.

Na casa de Alfredo Português, um dos fundadores da Mangueira, Geraldo Pereira participava de rodas tradicionais de samba ao lado de Nelson Sargento, Cartola, Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, entre outros.

Paira ainda hoje o mito de que tenha morrido numa briga com Madame Satã, malandro homossexual e ótimo capoeirista da antiga Lapa.


Madame Satã

Em entrevista ao jornal O Pasquim, em 1971, Madame Satã contou sua versão sobre a briga com Geraldo Pereira:

"Eu entrei no Bar Capela e estava sentado tomando um chope. Ele chegou com uma amante dele, pediu dois chopes e sentou ao meu lado. Aí tomou uns goles do chope dele e cismou que eu tinha que tomar o chope dele e ele tinha que tomar o meu. Ele pegou o meu copo e eu disse pra ele: olha, esse copo é meu. Aí ele achou que aquele copo era dele e não era o meu. Então eu peguei meu copo e levei para a minha mesa. Aí ele levantou e chamou pra briga. Disse uma porção de desaforos, uma porção de palavras obscenas, eu não sei nem dizer essas coisas. Aí eu perdi a paciência, dei um soco nele e ele caiu com a cabeça no meio-fio. Mas ele morreu meses depois, por desleixo do médico, por outras causas que nada tinham a ver com nossa briga.”


O que provavelmente o matou foi a cirrose.

Os amigos, dentre os quais Cartola, lembram de Pereira como excelente companheiro. Isso até tomar o primeiro gole. Quando bebia, era capaz de arrumar confusão até com os amigos mais próximos.


Era um crioulo alto, de mais de 1,80 m de altura, olhos verdes, sempre bem-vestido. Seu cotidiano eram os bares, gafieiras e noitadas com diferentes mulheres.


Foi bom instrumentista (tocava violão em regionais de choro), cantor (gravou várias canções suas e de outros) e ator (entre outros filmes participou, em 1942, das filmagens de Nem tudo é verdade, de Orson Welles, no Brasil).


Para Ary Barroso, ele foi o mais inovador dos compositores de samba.


Segundo o autor de Aquarela no Brasil, Pereira inovou principalmente ao valorizar as síncopes e pelo emprego de resoluções harmônicas até então desconhecidas no gênero.

A convivência com os sambistas da Mangueira foi decisiva para a incursão do mineiro no mundo da música.


Dizem que ele, Cartola e Nelson Cavaquinho estudavam juntos novas batidas de sambas ao violão.


O jornalista Okky de Souza, especialista em música popular, ressalta também sua importância como letrista. “Atuou como um atilado cronista do Rio de Janeiro de sua época", diz.


João Gilberto: "O samba de Geraldo Pereira era leve e cheio de divisões rítmicas, isso sempre me chamou atenção.”


Em 1998, foi lançado um filme biográfico intitulado O rei do samba, dirigido por José Sette e com Gerson Rosa no papel de Geraldo Pereira:




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