sábado, 1 de março de 2014

As a man Ray


O norte-americano Man Ray formou, com o francês Marcel Duchamp e o franco-cubano Francis Picabia, um trio elementar do movimento dadá nas duas primeiras décadas do século XX.


Man Ray


Duchamp em foto de Man Ray
Francis Picabia, idem

Foram amigos muito próximos e realizaram obras articuladas que legaram vigor, vitalidade e conceitos fundamentais para o desenvolvimento da arte contemporânea.

Suas obras – muitas delas em comum – evidenciam diálogos, afinidades e paralelismos entre o que pensavam, demonstrando as múltiplas influências e contaminações intrínsecas ao trabalho de cada um.

Alguns temas recorrentes para os três:

O movimento, as construções mecânicas, as ficções futuristas, a apropriação dos objetos e a possibilidade de lhes atribuir funções novas, permitindo o afastamento entre forma e função, literalidade e metáfora, luz e transparência, para construir um discurso conceitual, erótico e irônico, do artista e da sua obra.


Nas obras desenvolvidas pelos três, em conjunto ou separado, persistiram determinados pressupostos que os uniram nas primeiras manifestações dadás.

Além do movimento dadá, fizeram parte do surrealismo e do construtivismo.

O nome de batismo de Man Ray (1890-1976) era Emmanuel Radnitzky. Filho de judeus russos, nasceu na Filadélfia, EUA...



Ao não ser aceito em seu país, mudou-se para Paris em 1921.

Onde se dividiu entre três atividades: a fotografia, o cinema e a pintura. Foi um dos mais importantes fotógrafos de todos os tempos.

Sem nenhuma preocupação em representar a realidade, sua obra fotográfica é considerada altamente experimental e conceitual.

Utilizava uma técnica apelidada com ironia por ele próprio como “rayograma”, que consistia em fotografar objetos sem o uso da câmera, apenas em contato com um material sensível à luz.

Outra técnica muito empregada por Ray foi a "solarização", que consistia em expor o filme durante alguns instantes no processo de revelação.

O resultado era uma imagem com tom metálico, como se seus modelos fossem robôs, máquinas.

Seus modelos nunca olhavam diretamente para a câmera:


Criou também obras abstratas, fotografando cenas montadas apenas com objetos. Suas imagens sempre tinham um caráter minimalista.


Dentre suas fotografias ícone há um retrato de Gertrude Stein diante de um quadro de Picasso, de 1922, bem como fotografias de Meret Oppenheim (1933) e Henri Matisse (1926).

Fotografou as maiores celebridades da época. Tambpém posaram diante da sua lente Ernest Hemingway, Coco Chanel, Salvador Dalí, Jean Cocteau, James Joyce e outros.

A iluminação não era a usual (normalmente feita de baixo para cima, o que é “estranho” até para os dias de hoje).

Como cineasta, Ray produziu filmes surrealistas, como L'Étoile de Mer (1928), com o auxílio da técnica da solarização, invertendo parcialmente os tons da fotografia.


Man Ray usou a moda para expor sua arte experimental e sobreviver. Sua fotografia de moda era livre de qualquer conceito pré-estabelecido.

Como Duchamp e Picabia, era mulherengo. Porém, diferente dos amigos, se apaixonava perdidamente por suas amantes modelos e foi prejudicado por algumas, que usaram e abusaram dele.

Uma de suas grandes paixões foi Kiki de Montparnasse. O apelido diz tudo, mas para Ray era uma rainha. É, por sinal, a principal atriz de L'Étoile de Mer

Sua obra, como ele próprio dizia, representa sonhos, fantasias.


Poderia ter optado por representar pesadelos, uma vez que o mundo acabara de passar pela 1ª Grande Guerra Mundial e estava em via de entrar em outra, com o advento do nazismo e do facismo.

Em especial para ele que era judeu.
 
Dali como modelo

Como os demais dadás, utilizou o humor, a diversão para confrontar o horror do período.

Em 1938, participou da exposição surrealista internacional realizada em Paris.

Em 1940, mudou-se para a Califórnia, onde atuou como consultor de produções cinematográficas, para explorar novas possibilidades expressivas da fotografia no cinema.

Mas não foi bem-sucedido no mercadão cinematográfico e preferiu dar aulas de fotografia numa universidade.

De volta à capital francesa, onde era muitíssimo mais reconhecido que nos EUA, em 1950 fez grande exposição de suas fotos, pinturas e filmes.

Sua definição do próprio trabalho:

"Em lugar de pintar pessoas, comecei a fotografá-las, e desisti de pintar retratos, ou melhor, se pintava um retrato, não me interessava que ficasse parecido.

"Finalmente concluí que não havia comparação entre as duas coisas, fotografia e pintura.

"Pinto o que não pode ser fotografado, algo surgido da imaginação, ou um sonho, ou um impulso do subconsciente. Fotografo as coisas que não quero pintar, coisas que já existem."

Assim como outros artistas dadá, desenvolveu seu trabalho com espontaneidade e originalidade, sempre provocando a sociedade e colocando suas ideias sobre arte.

Trabalhava muito bem com a desconstrução da fotografia, transformando fotos tradicionais em laboratórios, através de suas técnicas. Usava, muitas vezes, a distorção de formas e corpos criando imagens incríveis.

Man Ray encarnava na fotografia de moda seu lado mais criativo e desenvolveu uma linguagem singular transmitindo a essência da alma feminina.

Andy Warhol (1928-1987) fez série de fotos vestido de mulher para homenagear Man Ray.

Essa sequência de fotos de Warhol é referente a outras de Ray feita com Marcel Duchamp travestido em seu personagem rrose sélavy.

Foto da série de Andy Warhol travestido

Duchamp travestido em foto de Man Ray

Man Ray, Duchamp e Picabia eram boêmios, bem-humorados e altamente inteligentes.

Um trio de altíssimo nível.

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