sábado, 1 de março de 2014

Ode de Jim Morrison a Brian Jones

Quando soube da morte de Brian Jones, o até então recém-demitido guitarrista dos Rolling Stones, o letrista, compositor e cantor do grupo The Doors, Jim Morrison, ficou enlouquecido.

Naquela noite de 3 de julho de 1969 amarrou o maior fogo pela perda de sua alma gêmea do outro lado do oceano.

Morrison numa das várias ocasiões em que foi fotografado pela policia

Talvez como uma premonição do que viria a ocorrer com ele próprio três anos depois, produziu numa tacada um poema em homenagem ao stone tombado...

Segue minha versão do poema e, logo após, o texto original de Morrison. Não se trata de tradução literal, mas literária. Com o propósito de transpor para o português a rica iconoclastia e força trágica do original.

Curtam os dois e, no fim, uma audição do poema:

Ode a LA enquanto penso em Brian Jones, falecido


Sou um habitante da cidade
Vieram me convidar
Para o papel
De Príncipe da Dinamarca

Pobre Ofélia!

Todos os fantasmas
Por ele nunca vistos
Foram ao Juízo Final
Iluminados por velas de aço

Volte, grande guerreiro!
Embarque noutra...
noutra cena

A piscina quente, metálica
Onde há Marrakesh
Sob os abismos?
Estrondos e tempestades
Bestas selvagens tombam
Finalizando o dia

Rítmos terrificantes

Você se deu ao nada
Concebendo o silêncio
Espero que tenha se partido
Sorrindo aos pedaços
Glorioso como uma criança
Em busca dos retalhos frios
De uma falsa realidade

O homem-anjo
Por cujas palmas e dedos
As serpentes se picavam
Finalmente levaram consigo
A alma chamada doce

Ofélia!

Folhas encharcadas
Em acetol
Um sonho
Em cloro
As testemunhas (claro!) loucas
Sufocadas
As portas, o mergulho
A piscina ao fundo

Você foi um guerreiro
Uma estrela almíscar entre damascos
Você foi o Sol
A palidez solar
No fim da tarde, pela TV

O lagarto:
Cavalo enlouquecido malhado
Amarelecendo

Veja até onde você foi parar
No paraíso da carne
Guardado (imaginem!) por canibais
E judeus

O jardineiro encontra o corpo flutuando
Bem Aventurado Vagabundo
De que tecido esverdeado, sem cheiro
Você foi feito?
Onde com bolsos e costuras na pele
Você foi deus?

Será que você vai feder
Quando transposto for
Ao céu
Para além das muralhas da música?

Faço um réquiem à fera sem furor
Àquele sorriso
Rasgado e sátiro
Caindo aos pedaços para o alto


Ode to LA while thinking of Brian Jones, deceased
 
I'm a resident of a city.
They've just picked me to play
the Prince of Denmark
Poor Ophelia
All those ghosts he never saw
Floating to doom
On an iron candle

Come back, brave warrior
Do the dive
On another channel

Hot buttered pool
Where's Marrakesh
Under the falls
the wild storm
where savages fell out
in late afternoon
monsters of rhythm

You've left your
Nothing
to compete w/
Silence

I hope you went out
Smiling
Like a child
Into the cool remnant
of a dream

The angel man
w/Serpents competing
for his palms
& fingers
Finally claimed
This benevolent
Soul

Ophelia
Leaves, sodden
in silk

Chlorine
dream
mad stifled
Witness
The diving board, the plunge
The pool
You were a fighter
a damask musky muse

You were the bleached
Sun
for TV afternoon
horned-toads
maverick of a yellow spot
Look now to where it's got
You
in meat heaven
w/the cannibals
& jews
The gardener
Found
The body, rampant, Floating
Lucky Stiff
What is this green pale stuff
You're made of
Poke holes in the goddess
Skin
Will he Stink
Carried heavenward
Thru the halls
of music

No chance.
Requiem for a heavy
That smile
That porky satyr's
leer
has leaped upward
into the loam

Para ouvir: 


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