sábado, 20 de setembro de 2014

Alban Berg, o romântico do dodecafonismo

Alban Maria Johannes Berg (1885 – 1935) foi um dos três principais compositores da chamada Segunda Escola de Viena, da qual provém o dodecafonismo e a música erudita serial.

Autodidacta musical até ser aluno de Arnold Schöenberg (1874-1951), seus primeiros trabalhos foram influenciados pela música impressionista e expressionista, bem como pelo cromatismo wagneriano.


Alban Berg

Mas acabou por se interessar por composição e pelo dodecafonismo. Junto com o seu mestre Schöenberg e seu amigo Anton Webern (1883-1945) pertenceu à chamada Segunda Escola de Viena (a primeira foi formada pelo trio Haydn, Mozart e Beethoven).


Arnold Schöenberg
Anton Webern

A mais conhecida peça de Berg é o Concerto para violino, na qual, tal como na maior parte do seu trabalho, emprega a técnica dos doze tons, que combina a atonalidade com as passagens harmônicas tradicionais da música europeia.


A seguir, Concerto para violino:




Berg fez parte da elite cultural de Viena durante o início do século XX.

No seu círculo de amigos encontravam-se os músicos Alexander von Zemlinsky e Franz Schreker, o pintor Gustav Klimt, o escritor satírico Karl Kraus, o arquitecto Adolf Loos e o poeta Peter Altenberg.


Chamado de "o romântico do dodecafonismo", levou ao ápice o drama expressionista...



Berg foi um dos últimos grandes compositores dramáticos da música erudita moderna.

Um contexto totalmente diferente do seu amigo Anton Webern, cuja obra evoluiu para peças cada vez mais objetivas e sintéticas.


Mas o rigor técnico e formal de Berg é qual o de Webern.


Escreveu série de canções para poemas Lenau, Rilke, Karl Hauptmann, Hohenberg, Hebbel.


Rainer Maria Rilke
Nestas despontam combinações inusitadas de timbres, por influência de Schöenberg.

Em Lyrische suite, composta entre 1925 e 1926 para quarteto de cordas, chega ao pleno domínio dos recursos criados ou ampliados por Schöenberg, com preponderância da escrita contrapontística.

Foi escrita para acompanhar a leitura do poeam Lyrische symphonie, de Alexander von Zemlinsky.


Berg herdou do mestre Schöenberg o interesse por óperas. Suas duas óperas: Wozzeck e a incompleta Lulu.

0
A estreia em 1924 de Wozzeck, ópera composta a partir da peça Woyzeck de Georg Büchner, teve um enorme êxito em Viena.


A seguir, apresentação de Wozzeck:



Wozzeck tem como ponto de partida o drama de um soldado vítima da fatalidade e do caos que o cerca.

Impulsionado pelo sadismo de seus superiores, assassina a amada, que suspeita lhe ser infiel, e morre afogado. São 26 cenas, todas de extrema concisão.


O intento de Berg foi obter a máxima integração entre os elementos musicais e dramáticos, de maneira a não havaer preponderância de um sobre o outro.


Se Wozzeck é uma tragédia sobre a impotência humana, Lulu é sobre a decadência e sua atração sexual demoníaca. Uma tentativa de aproximação da estrutura tonal do dodecafonismo.


Trata-se de uma ópera em três atos. O libreto foi adaptado das peças Erdgeist, de 1895, de Frank Wedekind e Die Büchse der Pandora (A caixa de Pandora), de 1903.


Berg viu pela primeira vez A caixa de Pandora, em 1905, em produção feita por Karl Kraus, mas só começou a trabalhar na obra que seria intitulada Lulu em 1929, depois de ter terminado sua outra ópera Wozzeck.


O enredo de Lula é sobre a esposa de um velho médico, cuja diferença de idade é acentuada, que vive um triângulo amoroso com um pintor. Razão pela qual é presa e condenada por adultério.

Após ser solta, torna-se dançarina de cabarés e prostituta. Um dos seus clientes é o lendário assassino em série inglês Jack Estripador, que a mata.

Berg trabalhou firme na composição até 1935, quando a interrompeu para compor Concerto para violino, sua peça mais conhecida, sobre a morte de Manon Gropius, filha de Walter Gropius (criador da Bauhaus) e Alma Mahler.

Concluiu o mencionado concerto rapidamente, mas o tempo gasto com ele o impossibilitou de terminar Lulu antes de sua morte, ocorrida na véspera do Natal de 1935, por choque anafilático causado pela picada de um inseto.


A ópera Lulu, ainda incompleta, estreou nos Estados Unidos na temporada 1961-62, com a soprano estadunidense Joan Carroll no papel-título.


Em 1976 recebeu acréscimos de Friedrich Cerha. Publicada em 1979, essa versão teve estreia em 24 de fevereiro do mesmo ano na Ópera Garnier, em Paris, dirigida pelo maestro e compositor Pierre Boulez.


A seguir, apresentação de Lulu, de Alban Berg:




Além das duas óperas, Berg escreveu duas peças para piano (Sonata para piano em si menor e Concerto de câmara para piano, violino e instrumentos de sopro), duas para cordas (Concerto para violino e Suíte lírica para quarteto de cordas) e sete canções juvenis para voz e piano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário