sábado, 20 de setembro de 2014

Heroínas das histórias em quadrinhos

No universo das histórias em quadrinhos (HQs), desde o surgimento desta arte na virada do século XIX para o século XX, são poucos os artistas do sexo feminino.

Quanto aos personagens que sustentam as tiras e histórias, há um pouco mais de equilíbrio entre os gêneros.

Existem várias protagonistas de HQs. Quase todas com forte apelo ao imaginário masculino acerca da sensualidade feminina.


Heroína de Milo Manara em plena ação

Ou seja, em um mundo dominado por super-heróis, as super-heroínas têm que lutar com armas próprias para ter seu espaço.

Algumas como parceiras ou namoradas dos heróis. Outras nos papéis de presas frágeis usadas pelos vilões para matá-los.


Mulher Gato e Mulher Maravilha, por exemplo, são versões femininas de heróis masculinos já consolidados. No caso destas Batman e Capitão América, respectivamente.


Mulher Maravilha

Com o tempo as mulheres foram ocupando novos espaços nas HQs, mostrando-se cada vez mais poderosas, inteligentes, destemidas e independentes. E, claro, muito sexy.


Uma das primeiras tiras cujo personagem central era feminino foi Little Orphan Annie, publicada pela primeira vez pelo desenhista norte-americano Harold Gray em 1924.


Tratava-se de uma órfã perseguida pelas vicissitudes da vida, com gosto pela caridade e desprezo à propensão da sociedade norte-americana de colocar o dinheiro acima de tudo.


Na década de 1930, o também norte-americano Chic Young criou a sorridente e resignada Blondie.


Durante os anos seguintes, surgiram vários personagens clássicos das HQs: Fantasma, Flash Gordon, Tarzan, Mandrake, entre outros. Todos tinham por trás uma namorada com presença forte em suas historietas.


Como separar o herói intergalático Flash Gordon, de Alex Raymond, da sua estonteante parceira Dale Arden?


Dale Arden com Flash Gordon

Milton Caniff criou, também na década de 1930, as historietas de Terry and the pirates, nas quais se sobressai a tenaz Dragon Lady.

Na Inglaterra, Norman Pett lançou a deliciosa heroína Jane, que tinha o hábito de perder suas roupas durante os episódios.


Capa de Pett para aventuras de sua Jane

Os desenhos de Pett alimentaram as fantasias sexuais dos soldados britânicos nas trincheiras de batalhas contra os inimigos nazistas.

Nos anos 1960, no vácuo da liberalidade comportamental e política, surgiram heroínas com alto apelo sensual.


Dentre elas Barbarella, do suíço Jean-Claude Forest, Valentina, do italiano Guido Crepax, e as sensualíssimas personagens do também italiano Milo Manara.

Barbarella, de Forest, satisfazia até robôs
 
Valentina, de Hugo Crepax

Além das heroínas já citadas, a seguir apresentarei algumas das personagens de HQs que marcaram época...



Miss Marvel

Integra o rol da Marvel Super-Heróis. Foi criada por Roy Thomas e Gene Colan no final dos anos 1960. É uma óbvia contrapartida ao personagem Capitão Marvel.


Miss Marvel

Exposta à tecnologia da raça alienígena Kree, ganha poderes sobre-humanos, como super-força e habilidade de voar.


Inicialmente lançada com episódios independes, não colou e voltou como integrante da trupe de super-heróis dos Vingadores.


Viúva Negra


também integra a equipe dos Vingadores. Foi criada por Stan Lee, Don Rico e Don Heck, em meados da década de 1960.


Na versão original era uma super-espiã soviética inimiga do Homem de Ferro e teve um romance com o Gavião Arqueiro. Depois se envolveu com o Demolidor por um longo período.


Viúva Negra, de Stan Lee, Don Rico e Don Heck

Seu nome verdadeiro é Natasha Romanoff, também chamada de Natalia Romanova, Natasha Romanova ou Natalie Rushman.

Como vilã, a Viúva usava um uniforme diferente. Em 1970, numa história em que enfrenta o Homem-Aranha, ela mudou para um colante com um cinto dourado.


O novo visual fez sucesso de imediato e ela acabou voltando como namorada do Demolidor, tornando-se uma personagem regular da revista do herói cego.


Zatanna


Criada por Gardner Fox e Murphy Anderson, apareceu pela primeira vez em meados dos anos 1960. Ela é uma mágica filha de John Zatara, um poderoso ilusionista (muito parecido com Mandrake).


Em sua genealogia, ainda está o famoso alquimista Nicholas Flamel, bem como Nostradamus.


Zatanna, de Fox e Anderson

Zatanna costuma conjurar suas mágicas através de frases ou palavras pronunciadas ao contrário, o mesmo método que era usado por seu pai, Zatara.

Ela integra a Sociedade da Justiça. Usa vários truques na manga, como a transformação de adversários em inofensivos coelhos até um poderoso campo de força ou o poder do controle das chamas.


Vampira


Vampira, uma das integrantes da trupe de super-heróis X-Men, foi Criada por Chris Claremont e Michael Golden, na década de 1980.


Seu poder mutante é a habilidade de sugar a vitalidade, memória e poderes de outros seres vivos por meio do contato com a pele. Ou seja, quem tentar alguma relação pele com pele com Vampira, perde definitivamente a sua.


Vampira e mais uma de suas vítimas

Vampira fora uma bela moça com uma vida sofrida e trágica. Criada por sua severa tia Carrie, após eventos dramáticos envolvendo seus pais, a jovem fugiu de casa e acabou adquirindo super-poderes.

O poder mutante de Vampira manifestou-se pela primeira vez no início da adolescência, quando em sua casa a menina beijou um garoto chamado Cody Robbins e sua mente foi invadida pelas memórias do rapaz, que entrou em coma permanente.


Vampirella


A deliciosa e dúbia Vampirella foi criada por Forrest Ackerman no final dos anos 1960. Originalmente, era uma vampira extraterrestre de um planeta tendo dois sóis chamado Drakulon (ou Draculon). 


Vampirella foi criada por Ackerman para representar uma garota moderna com super-poderes, uma espécie de bruxa, sob influência do sucesso de Barbarella, do suíço Jean-Claude Forest.


Vampirella, de Forrest Ackeerman
O artista plástico Andy Warhol adorava a personagem. Em suas festas costumava se travestir de Vampirella.

Em 1989, Lou Reed e John Cale lançaram o álbum Songs for Drella, em homenagem a Warhol, tendo por referência o seu hábito dele se vestir como Vampirella.


Supergirl


Kara Zor-El, mais conhecida como Supergirl, foi criada por Otto Binder e Curt Swan, aparecendo pela primeira vez 1958 como uma versão feminina do Superman.


Assim, na versão original a Supermoça é Kara-El, prima de Kal-El, o Superman.


Supergil, de Otto Binder e Curt Swan
Ela havia sobrevivido a explosão de Krypton. Argo City, a cidade em que morava, conseguiu permanecer intacta em sua redoma protetora.

Após mais atrapalhar o super-herói do que ajudar, esta criatura morreu protegendo o Superman de um meteoro de kryptonita.


Caçadora


Esse nome já foi utilizado por três personagens diferentes, sendo elas: Paula Brooks, Helena Wayne e Helena Bertinelli. Sua primeira aparição foi em 1968.


Na Era de Ouro, Caçadora era uma super-vilã, cujo nome real era Paula Brooks que lutou com o super-herói Pantera.


A Caçadora da Era de Prata era Helena Wayne, a filha de Batman e Mulher-Gato.


Caçadora

A Caçadora da Era Moderna é Helena Janice Bertinelli, que foi a última sobrevivente do ataque à família Bertinelli quando, aos oito anos, presenciou a morte de sua família pela mão do assassino Omerta, a comando de Mandrágora.

Após o incidente, foi mandada para a Sicília, para viver com seus primos, os Asaros, uma familia de assassinos.


Jurando vingança, seu primo Sal ensinou Helena a lutar e também a usar uma grande variedade de armas.


Logo após seu primo e seu tio serem mortos pela Máfia, ela foi mandada a Suíça, e jurou terminar com as guerras no submundo, incluindo a organização criminosa


Shanna – a Mulher-Demônio


Um nome sintomático para as edições brasileiras, já que seu nome também pode ser identificado com um dos apelidos nacionais dados à genitália feminina. 


Shanna foi criada por Carole Seuling e George Tuska no início dos anos 1970. Na primeira versão da personagem se chamava Shanna O'Hara Plunder, filha de um mineiro de diamante chamado Gerald O'Hara.


Nascida na África , ela passou a maior parte de sua infância nas selvas do Zaire. Com a idade de seis anos, seu pai foi matar um leopardo que pertenceu a sua mãe, Patricia O'Hara.


Shanna, de Carole Seuling e George Tuska

Quando caçava o leopardo, o pai de Shanna acidentalmente matou sua mãe. Este incidente traumático a levou à cruzada contra o uso de armas de fogo.


Após o incidente, Shanna voltou para o Estados Unidos para viver com parentes. Cresceu para se tornar uma atleta olímpica realizada, especializada em natação competitiva e atletismo.


Então se tornou veterinária e voltou para a África, para se sintonizar com a natureza, patrulhando a selva e vivendo livremente nas terras selvagens.
 

Sonja – a Guerreira
 

Red Sonja é uma personagem criada por Roy Thomas inspirada em contos de Robert E. Howard, ligada ao universo de Conan, o Bárbaro.
 

Sonja vivia na Era Hiboriana, na nação conhecida como Hirkânia.
 

Nascida em uma família modesta, sua mãe era uma mulher de grande fibra e seu pai, um mercenário aposentado.

Sonja, de Roy Thomas

Todos os dias, o pai de Sonja pacientemente ensinava aos filhos homens o manejo da espada, enquanto à menina só era permitido assistir às instruções.
 

A bela ruiva, contudo, não aceitava aquilo e, quer por orgulho, quer por ciúme dos seus irmãos, todas as noites saía escondida para praticar o que lhe era proibido.
 

De repente, uma tropa de mercenários surgiu das montanhas. Eram antigos companheiros de seu pai, convidando-o a unir-se a eles para a campanha de inverno, onde iriam agir no reino de Khitai.
 

Recusando o convite, o velho foi morto pelos ex-companheiros. Em seguida os criminosos chacinaram sua mulher e filhos, e o líder deles violentou a linda Sonja.
 

Ateando fogo à casa, os mercenários partiram e, por milagre, a jovem ruiva conseguiu escapar das chamas, enrolando seu corpo em um cobertor molhado.
 

Deixando a casa, desesperada, ela tombou no chão quase desfalecida, quando a visão de uma deusa chamou-lhe a atenção.
 

A divindade falou à jovem que poderia conceder-lhe força para vencer seu sofrimento e assumir a emocionante vida de guerreira.
 

Para que isso acontecesse, Sonja teria que fazer um juramento de jamais permitir que homem algum tocasse seu corpo, a não ser aquele que a vencesse numa batalha.
 

Adotando uma companheira como parceira de batalhas, Sonja é uma das poucas heroínas sugestivamente homossexual das HQs.

Elektra

Elektra Natchios, ou comumente chamada Elektra, é um personagem criado por Frank Miller para a revista Demolidor, no início dos anos 1980.

Ela é uma ninja assassina que usa um par de espadas curtas japonesas como sua marca registrada.



Elektra, de Frank Miller

Na primeira história, Elektra aparece como a vilã ninja mas o Demolidor a reconhece como seu primeiro amor: Elektra Natchios, filha então adolescente de um embaixador grego.

Ela também percebe que o herói é Matt Murdock, pois durante o primeiro encontro mostrado em flashback ele ficou tão empolgado com a moça que para impressioná-la revelou seus poderes.

No entanto, o rápido romance terminou quando o campus da universidade onde Matt estudava foi atacado por nacionalistas gregos que queriam matar o pai de Elektra.


Apesar dos esforços de Matt, ele não conseguiu salvá-lo. Traumatizada, Elektra resolve voltar para a Grécia.

Os dois se reencontrariam anos depois, com Matt já transformado em Demolidor e ela, em ninja assassina.

Dessa forma, assim com o mito grego que deu nome a ela, Elektra, se torna extremamente cruel em função da dor causada pela perda do pai.

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