segunda-feira, 25 de maio de 2015

Louis-Ferdinand Céline, o proscrito

A literatura francesa é pródiga de grandes autores avessos ao consenso. E, por isso, estigmatizados como marginais e malditos.

Um deles foi o canoro das putas, dos pequenos ladrões e dos assassinos François de Villon (1431-1463). Que também foi um poeta de primeira e um dos últimos mestres chansonère da tradição satírica provençal.

François Rabelais (1494-1553), criador das grandes novelas picarescas Pantagruel e Gargântua, foi outro. Exalava escatologia até pelos poros.

Rabelais é pouco conhecido entre nós como poeta. Artesão de técnicas de impressão, produziu poesia visual, que inspiraria um século depois os autores barrocos e, nos tempos modernos, tendências como o concretismo.

Os poetas simbolistas Lautréamont (1846-1870), Arthur Rimbaud (1854-1891), Paul Verlaine (1844-1896) e Tristan Corbière (1845-1875) morreram à margem da cultura francesa. Apenas Verlaine teve algum reconhecimento em vida.

Alfred Jarry (1883-1907) era quase um fora da lei. Misto de pensador utopista (criou a patafísica, a “ciência das invenções imaginárias”), foi poeta, romancista e importante dramaturgo.

Viveu com o desprendimento dos beatnicks norte-americanos, que apareceriam meio século depois, com sua bicicleta, seu revólver e seu absinto.

Da mesma forma que já Jarry viveu seu contemporâneo Raymond Roussel (1877- 1933), escritor, teatrólogo e pintor de escola indefinida.

Com seu caráter imprevisível e desconcertante – mesmo para os ambientes mais liberais de Paris – e sua poesia de alta elaboração linguística.

Jean Genet (1910-1986), poeta e dramaturgo de origem marginal, era filho de prostituta, ladrão e homossexual violento. Não fosse Jean-Paul Sartre, que o estimulou a escrever enquanto se encontrava preso, talvez nem tivesse se revelado para a literatura.

Entre tantos franceses que foram não só cobras venenosas, mas cobras das letras, há Louis-Ferdinand Céline (1894-1961), um sujeito que esteve à beira de ser linchado ou mandado para o paredão de fuzilamento por seus conterrâneos.

Lois-Ferdinand Céline
Nos vários textos escritos por intelectuais contra ele há toda uma diversidade de adjetivos nada elogiosos.

“Truculento”, “cínico”, “grosso”, “amoral”, “obsceno”, “demente”, “louco”, “visionário”, “monstro”,  “reacionário”, “racista”, “pró-nazista”, “antissemita”, “tarado”, “criminoso”, “pornográfico”, “paranoico”, etc.

No entanto, é o mais inventivo prosador francês depois de Marcel Proust (1871-1922) e o único, da era moderna, a fazer páreo à prosa revolucionária em língua inglesa de James Joyce (1882-1941)...

Nada para Céline era relativo. Tudo o que fez, foi pelos extremos. Não dourou pílula nem para si próprio. "Minha mãe fez tudo para que eu vivesse, era ter nascido que eu não devia", esclarece na abertura do romance Morte a crédito.
Louis-Ferdinand Céline nem é seu nome verdadeiro. Trata-se de um pseudônimo de Louis-Ferdinand Destouches.

Quando jovem deixou sua família de classe média baixa, oriunda da periferia parisiense, e se alistou no exército francês para ter acesso aos estudos.


Mas para seu azar estourou a I Guerra Mundial e foi para o campo de batalha como combatente. Após ter tido sérios ferimentos num braço e na cabeça foi considerado inválido.

Ele próprio credita aos ferimentos na cabeça as atitudes intempestivas tomadas daí por diante. Não é verdade. Antes de ter ido para a guerra, já havia aprontado um bocado quando ainda era conhecido apenas como Louis-Ferdinand Destouches.

O jovem Destouches
Depois que teve baixa, esteve nos Camarões (África) para trabalhar em serviços burocráticos numa madeireira francesa. Em seguida, retornou à Franca para trabalhar numa pesquisa, recolhendo informações sanitárias sobre tuberculose a serviço da Fundação Rockefeller.

Graças ao emprego, formou-se em medicina. Casou-se com a filha do diretor da faculdade, com quem teve uma filha. Mas abandonou a família em 1925 para viajar como vagabundo pela Suíça, Inglaterra, Canadá, EUA, Cuba e outros países.

Retornou ao seu país para atuar como médico da Liga das Nações, que foi dissolvida em 1946, após o final da II Guerra Mundial, para dar lugar à Organização das Nações Unidas (ONU).

Como funcionário da Liga das Nações serviu na África, onde começou a escrever seu primeiro romance picaresco: Voyage au bout de la nuit (Viagem ao fim da noite), lançado em 1932.

Sua ida para a África o tornou profundamente anticolonialista e contrário aos principais poderes instituídos em seu país: Estado, Exército, Justiça, Igreja, Maçonaria, instituições financeiras, etc.

Abandonou o emprego e passou a clinicar por conta própria na periferia de Paris, num bairro paupérrimo chamado Meudon.

Nesse bairro de bandidos, prostitutas, idosos miseráveis, imigrantes e outros tipos marginalizados, produziu sua literatura e viveu aos trancos e barrancos da medicina.

Céline em sua casa em Meudon
Sua clínica ficava em sua própria casa. A secretária era uma caixa de sapatos. Quem tinha dinheiro, depositava algum. Quem não tinha, era atendido da mesma forma.
 

Mas como um cidadão com tal espírito benemérito e tamanho desprendimento com grana esteve a ponto de ser linchado pelos vizinhos, muitos dos quais haviam nascido pelas suas mãos?
O motivo de ter se tornado um inimigo público foi sua capacidade ímpar de remar contra a maré nos momentos menos propícios.

A população de origem judia da grande Paris sempre foi numerosa. Enquanto a Resistência, da qual participavam muitos judeus franceses, combatia os invasores nazistas, Céline pôs-se a escrever panfletos antissemitas.

Claro que parcela significativa dos seus vizinhos, que odiava os invasores alemães e se simpatizava com os judeus, se pôs contra ele.

Panfleto antissemita
Já era então bastante conhecido pelo seu primeiro romance, o qual fora traduzido inclusive na antiga URSS, pátria do comunismo. Por ter tido boa recepção entre leitores de esquerda, as provocações de seus panfletos tiveram efeito dos mais desastrosos.

Exemplares de Voyage au bout de la nuit foram queimados às centenas em uma praça pública próxima de sua residência, com ameaça ao autor.

Começou a receber cartas de supostos militantes da Resistência. As quais prometiam que se ele não parasse de divulgar os tais panfletos, tão logo os nazistas fossem expulsos seria sumariamente fuzilado.

Mas ele não parou. Em 1944, dias depois do desembarque dos Aliados na Normandia, deixou Paris às pressas com a esposa Lucette, um gato e um amigo ator que lera um de seus panfletos em um evento e, só por isso, também passou a ser ameaçado de morte.

Os episódios malucos que se sucederam a essa fuga foram narrados no delicioso romance D'un château l'autre (De castelo em castelo).

Como na França o chamavam de nazista, achou que estaria mais seguro em território dominado pelos alemães.

Mas os nazistas não faziam ideia de quem ele era e, por ironia do destino, estiveram a ponto de mandar o trio de fugitivos para um campo de concentração destinado a judeus e ciganos.

Quando descobriram que era médico e conhecedor de vários idiomas, determinaram que fosse clinicar num campo de concentração no qual se concentravam presos de diferentes nacionalidades. Mas foi para o local também como prisioneiro.

Após a derrota dos nazistas, fugiu do campo e peregrinou com a mulher, o amigo ator e o gato rumo à Dinamarca. O penúltimo livro, Nord (Norte), conta suas peripécias pelo país nórdico.

Depois de dez anos miseráveis na Dinamarca, o prestigiado grupo editorial francês Gallimard negociou seu retorno à França com o próprio general De Gaulle.

Voltou com garantias de não ser preso ou executado, mas ainda assim ressabiado.

Instalou-se na mesma casa velha no subúrbio parisiense de Meudon, onde continuou a clinicar e a escrever sua obra, cada vez mais cáustica, mordaz, mas incrivelmente bem-humorada.

Imagem de maltrapilho
Quase não deixava sua residência. Vivia paranoico, com receio de encontrar algum antigo militante da Resistência e ser trucidado em plena rua.


Lucette era bailarina clássica quando conheceu Céline
A esposa Lucette, que dava aulas de dança em um bairro de ricos, se incumbia de pagar as contas, negociar os contratos editoriais e fazer as compras.

A linguagem de Céline foi se tornando cada vez mais entrecortada, repleta de reticências, qual sua fala, deformada por uma gagueira adquirida por traumas da guerra.

Naquela casa miserável, caindo os pedaços, viveu até 1961 um dos maiores novelistas e romancistas da era moderna.

Seus livros vendiam pouco, dada à péssima fama do autor. Apenas um ciclo refinado de intelectuais menos dogmáticos sabia do seu valor. Tornou-se um escritor de escritores. Cada vez mais valorizado, porem pobre.

Vários escritores brasileiros modernistas, bastante voltados para a cultura francesa, conheceram a obra de Céline. Dentre eles Manuel Bandeira e Nelson Rodrigues.

Na América Latina, o colombiano García Márquez e o cubano Cabrera Infante foram nitidamente influenciados por seu modo livre de escrever, criteriosa atenção à linguagem e seu humor afiado.

Na velhice, os franceses aprenderam a respeitá-lo e aceitá-lo como era, do seu jeito intratável e sarcástico. Foi se tornando cada vez mais mordaz e desbocado. Fazia troça tanto dos que o odiavam quanto dos que o admiravam.

Como sabia de antemão que já não podiam mais mandá-lo para o paredão, passou a soltar farpas para todas as direções.

Dizia não fazer conta do que pensavam ou deixavam de pensar sobre ele. Que mais valia proporcionar afeto aos animais que aos humanos. Cuidava de dezenas de bichos abandonados: cães, gatos e passarinhos maltratados pela vida como ele.

A seguir, algumas fotos de sua paixão pelos animais:

Gatos
Cães

Aves
Em uma das últimas entrevistas, um repórter pediu para que definisse em poucas palavras sobre o que escrevia. "Escrevo sobre tudo que não é blefe."

Exemplo de "blefe" para ele: o conterrâneo Jean-Paul Sartre. Chamava-o de "tartre", ou seja, piolho. Ou "l'ágite du bocal" (garganteador excitado).

Sobre Romain Rolland, Albert Camus e Henry Miller, que o veneravam, dizia que escreviam como se pintava no Grand Salon de la Médaile d'Or em 1862: “para fazer efeito”, "dar impressão" (ironia aos impressionistas). Queria dizer, com isso, que eram artificiais e exibicionistas.

Henry Miller frequentava sua casa
Céline sempre tomou posições opostas a todas as tendências literárias de sua época. Recusava inclusive a se identificar como escritor.
"Não sou escritor coisa nenhuma. Sou apenas um médico da periferia caçado por todos, inclusive pela polícia. Claro... escrevi uma ou outra bobagem publicável e... também não publicável."
Sua definição do escritor:
"É um fantasma da loteria ignóbil. Dedica-se à prática da besteira... em alguns casos impossível de ser desfeita."
Sobre seu prestígio:
"O pequeno sucesso da minha existência é ter conseguido, apesar de tudo, este feito que todos concordem, por um momento... direita, esquerda, centros espíritas, sacristias, lojas maçônicas, células mafiosas, o conde de Paris, a Josefina, o abade Trololó, etc... que sou o maior lixo que já existiu!"
Sobre suas afinidades ideológicas:
"Sou anticomunista, anti-hitlerista, antissemita, antiamarelos (orientais), anticatólico, antimaçônico, anticolonialista, antimilitarista, anti-industrialista e antialcoólico."
Nessa retórica do achincalhe prosseguiu até a morte.

Qual o irlandês James Joyce, incorporou em sua obra a língua das ruas, que denominava “perigot”, repleta de gírias do mais baixo calão e palavrões escatológicos.

Mas para os quais dava uma linguagem estritamente elaborada, inventiva e rigorosa, inclusive sob o aspecto gráfico.

Uma de suas grandes preocupações era com as soluções visuais para as edições de suas obras. A obra de Céline, toda ela iconoclasta, é totalmente voltada para as imagens.

James Joyce
Contra tudo e contra todos, o escritor “inimigo do gênero humano” Céline seguiu em paralelo com o cidadão de periferia Dr. Destouches, misto de médico de pessoas e veterinário: cuidava, a um só tempos, dos vizinhos miseráveis e dos animais encontrados pelas ruas.

Seu último romance, Rigodon, de 1961, traz a maluca premonição de que os chineses tomariam conta do planeta. Na época isso parecia completamente absurdo e soou como mais um deliro do “maluco” Céline.

Hoje, quando os produtos da indústria chinesa são encontrados por preços mais acessíveis em quaisquer bibocas, desbancando os produtos locais, sua previsão já não parece loucura.

No início foi idolatrado pela esquerda

Toda literatura de Céline é picaresca e iconoclasta.

Qual a de Giovanni Boccaccio (1313-1375), François Rabelais (1494-1553), Miguel de Cervantes (1547-1616) e Jonathan Swift (1667-1745).

Qualquer leitor cadinho sofisticado, de direita ou de esquerda, que resolva lê-lo sem preconceito, não terá como conter os impulsos de soltar altas gargalhadas, concordando ou não com o que ele escreveu.

O que não falta às obras de Céline são as passagens altamente divertidas, hilariantes. Todas com refinada inteligência, mesmo quando utiliza os termos mais chulos.

O que também não falta são os múltiplos jogos de palavras com expressões populares do seu idioma – o que dificulta bastante traduzi-lo.

Quando Voyage foi lançado, em 1932, Céline era tido como um escritor "proletário", portanto de esquerda.

Elza Triolet (1896-1970) e Louis Aragon (1897-1982) se apressaram a traduzi-lo para o russo e foi amplamente divulgado na URSS, a suposta pátria do proletariado.

Elza Triolet e Lous Aragon
Leon Trotski, Jossef Stalin e o antropólogo suíço Claude Lévi-Strauss, de esquerda, enalteceram-lhe as qualidades. Céline foi então convidado a visitar a URSS. Porém voltou de lá fazendo o que nenhum intelectual da época faria: falou mal de tudo e de todos.

García Márquez, um dos admiradores
Ainda assim a esquerda continuou simpática a ele. Em La force de l'age, Simone de Beauvoir o apontou como anarquista.

Sartre o elogiou em La nausée. Mas em 1945, quando o escritor lançou os referidos panfletos, o filósofo mudou de opinião: "Se Céline defende as teses sociais dos nazis, é que é pago para isso".

Sarte disse isso por dizer, pois nem forneceu provas do que afirmou. Mas sua declaração soou como uma condenação pública de que Céline era efetivamente um colaboracionista.

Aquele era um momento muito especial para esse tipo de acusação, pois em Paris começava a instrução de um processo contra Céline, em razão dos vários panfletos por ele divulgados.

Sempre à caça de possíveis colaboradores do regime nazista, a maioria dos franceses se voltou contra Céline. O escritor nunca perdoou Sartre por isso.

Sartre e Simone
Do romance Mort à crédit (1936) em diante, passou por longo período de ostracismo. Ninguém mais queria saber dele.

Até que, no final dos anos 1950, começou o processo de reconhecimento de sua obra. Ainda assim por uma minoria de intelectuais.

Visto como louco por muitos e como gênio para poucos, influenciou a prosa de vários autores. Em especial os norte-americanos Henry Miller, William Burroughs, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Philip Roth, Norman Mailer e Tom Wolfe.

Mesmo nos dias atuais persistem os tabus contra Céline.

Em 2011, quando fez 50 anos de sua morte e jornais de todo o mundo abriram espaço para comentar sua obra, o então ministro da Cultura da França, Frédéric Mitterrand, atendendo aos seus eleitores de esquerda, decidiu cancelar a comemoração oficial.

Principal romance

À primeira vista, a prosa de Céline pode parecer simples, porque calcada na linguagem oral, popular. Mas é complexa.

Desde seu romance de estreia, Voyage au bout de la nuit, de 1932, forjou uma língua própria, incorporando gírias e palavrões, criando onomatopeias, elipses, rimas e neologismos.

Edição de Voyage pela Gallimard
O escritor chamava as reticências, que apreciava, de “essas coisas de nada” que “arejam a frase”.

Desmantelou a língua francesa, ao revirá-la com sua lógica implacável.

Voyage certamente é um dos romances mais importantes do século XX.

Trata da trajetória de vida do estudante de medicina Ferdinand Bardamu (ele próprio).

A estória começa quando o jovem, num impulso, se alista como voluntário no Exército para combater na I Guerra Mundial.

A partir daí, o escritor traça um retrato negro da humanidade, da guerra, da questão do patriotismo e da vida dos soldados reduzida a quase nada.

Ferido, Bardamu regressa a Paris, onde no hospital conhece uma enfermeira americana com quem tem um relacionamento e, devido a ela, lhe vem a vontade de ir para os EUA.

Mas quando se recupera tem de voltar novamente para a frente de batalha e, como não quer regressar, faz-se de doente e é novamente internado.

Depois de ser dado como inapto para ir à guerra, decide viajar para a África. Mas no território africano entra em conflito com famílias europeias que lá vivem a serviço do poder colonial.

Passa a levar uma vida miserável, cada vez mais indisposto com os representantes europeus.

Os quais, para ele, são pessoas viciadas, más, vingativas e corruptas, vencidas pelas doenças tropicais e sem escrúpulos.

Bardamu consegue colocação num entreposto de uma companhia comercial em meio à selva. Mas não aguenta o isolamento, as doenças, o mal-estar e abandona o posto.

Doente, é cuidado pelos nativos. Os quais o entregam mais tarde aos cuidados de um padre europeu. Este o vende como escravo branco para um navio que, por ironia do destino, o leva aos EUA.

Ao chegar ao território norte-americano, logo descobre que não é a "terra prometida" que idealizara. Reencontra a antiga namorada e Robinson, um amigo dos antigos campos de batalha na I Guerra.

Regressa â França, onde termina os estudos de medicina e se estabelece como médico nos subúrbios de Paris. Como veem, tudo autobiográfico. Toda a literatura de Céline foi autobiográfica.

Nesta parte do livro, mostra como era a vida na França: a pobreza extrema, as más condições, a falta de higiene, a mesquinhez das pessoas, o alcoolismo...

Uma série de fatores que transformam as pessoas em seres maus, quase animais e prontos a destruírem-se umas às outras. Mais ou menos como nos encontramos hoje no Brasil.

A noite, no romance, representa a alma humana, a sua podridão, a sua mesquinhez, o aproveitamento dos mais fracos pelos mais fortes.

Trata-se de um livro intenso, uma leitura pesada, com passagens muito fortes sobre a condição humana.

Clique aqui para baixá-lo em francês do Portal Domínio Público.

Livros de Céline no Brasil

Os principais livros de Louis-Ferdinand Céline (1894-1961) foram editados no Brasil.

Sua obra de estreia, Viagem ao fim da noite, de 1932, saiu pela Companhia das Letras, com tradução de Rosa Freire d’Aguiar.


O romance Morte a crédito, de 1936, saiu pela Nova Fronteira, com tradução de Maria Arminda de Souza-Aguiar e Vera de Azambuja Harvey.

O romance De castelo em castelo, de 1957, foi publicado pela Companhia das Letras com tradução de Rosa Freire d’Aguiar (viúva de Celso Furtado).

A Companhia das Letras também publicou biografia de sua autoria sobre o médico Ignaz Philipp Semmelweis, aqui chamada A vida e a obra de Semmelweis, com tradução de Rosa Freire d’Aguiar.

O romance Norte, de 1960, foi publicado pela Nova Fronteira, com tradução de Vera Azambuja Harvey.

Bibliografia completa em francês

Semmelweis (a referida biografia, é de 1924)

Voyage au bout de la nuit (romance de 1932)

L'église (panfleto de 1933) — o primeiro de uma série que lhe causaria muitos transtornos

Hommage à Emile Zola (panfleto de 1933) — sua “homenagem” na verdade demole Zola como escritor

Mort à crédit (romance de 1936)

Mea culpa (panfleto de 1936)

Bagatelles pour un massacre (panfleto antissemita de 1937)

L'école des cadavres (panfleto contra o sistema educacional francês, de 1938)

Les beaux draps (panfleto apontando a vulgaridade da moda francesa, de 1941)

Guignol's band I (novela de 1944)

Casse-pipe (romance de 1949)

Féerie pour une autre fois (romance de 1952)

Normance (novela de 1954)

D'un château l'autre (romance de 1957)

Nord (romance de 1960)

Guignol's band II (novela publicada postumamente em 1964)

Rigodon (romance publicado postumamente em 1969)

Algumas frases

Céline, assim como os brasileiros Oswald de Andrade (1890-1954) e Nelson Rodrigues (1912-1980), foi um grande criador de frases. Mencionarei algumas, após os respectivos tópicos, apenas para que dar ideia do seu humor sarcástico.

Morte
“A maior parte das pessoas morre apenas no último momento; outras começam a morrer e a ocupar-se da morte vinte anos antes, e ás vezes até mais. São os infelizes da terra.”
Solidão
“Estar sozinho é treinar para a morte.”
Confiança
“Confiar nos homens é deixar-se matar aos poucos.”
Trabalho

“A medicina é uma profissão ingrata. Quando se é pago pelos ricos, corre-se o risco de ser considerado como um criado, quando se é pago pelos pobres, de um ladrão.”
Amor
“O amor é o infinito ao alcance dos idiotas.”
Vaidade
“Não existe vaidade inteligente.”
Imaginação
“Quando não se tem imaginação morrer é pouca coisa, quando se tem, morrer é demasiado.”
Verdade
“A verdade é uma agonia sem fim. A verdade deste mundo é a morte. É preciso escolher: morrer ou mentir. Mas eu nunca consegui me matar.”
Castigo
“Tudo se expia. Tanto o bem como o mal, cedo ou tarde se pagam. O bem é mais caro, forçosamente.”
Alma
“A alma é a vaidade e o prazer do corpo são.”
Entrevistas em vídeos

As entrevistas a seguir estão, obviamente, em francês.

Com legendas em inglês:


Sem legendas:


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