sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Luiz Gonzaga é a voz sertaneja de todo o Brasil

O vilarejo onde fui criado, no noroeste paulista, é pobre, como a maioria dos vilarejos rurais. Chama-se Tupinambá. Pertence a Indiaporã, município a 600 quilômetros da capital. Margeia o rio Grande, no limite do estado com o Triângulo Mineiro.

Tupinambá tem nove quarteirões em meio a seis ruas que se cruzam. No centro há uma praça com a igreja e o barracão de festas. Em torno da praça há a igreja evangélica, dois botecos e um campo de futebol que também serve de pasto para os animais. 

Tudo muito modesto, precário, meio zoneado, mas bem melhor que as favelas urbanas. Há muita vagabundagem, mas a criminalidade felizmente ainda é rara.


Bebe-se. E muito. A cerveja campeã de vendas é a Cristal, barata e de péssima qualidade. A cachaça, bebida mais consumida é a industrial, produzida em alta escala. Razoável para batidas e caipirinhas, mas Deus nos livre de tomá-la pura todos os dias.

A população é bem mesclada e de origens diversas. Predominam descendentes de migrantes nordestinos. São raros o
s remanescentes dos chamados “antigos paulistas”, famílias centenárias que carregam misturas entre descendentes dos bandeirantes, índios e negros.

Do interior baiano vieram as primeiras levas de nordestinos no final do século XIX, para o trabalho bruto de arrancar tocos de árvores nativas derrubadas para dar lugar aos cafezais que já não existem.

Em diferentes fases do século XX vieram levas menos expressivas de potiguares, cearenses e, mais recentemente, de maranhenses – estes para trabalhar na lavoura canavieira.

Além de nordestinos, há na região descendentes de imigrantes italianos, espanhóis, árabes e japoneses.

O caboclo atual é uma mescla dessas procedências todas.


Passei a infância por lá, entre o final dos anos 1950 e meados dos anos 1960, e sempre voltei durante as férias de estudos e, depois, de trabalho.


Mais recentemente venho me dedicando às atividades que tenho em meu sítio, a um quilômetro da vila, e voltei a ser um frequentador costumaz da vila, pois é lá que residem os amigos locais.

Minha memória musical mais remota vem da infância vivida por lá. Soma do que ouvi nas rodas de violeiros, no rádio de casa, no cinema de Indiaporã, nos eventuais espetáculos de circos de touradas e nas várias festas.

Sem dúvida o compositor brasileiro que mais permeou essa salada de referências foi o pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989). E olha que não estava no seu auge. Sua popularidade maior se deu entre os da geração do meu pai.


O "rei" Luiz Gonzaga
De 1941, quando Gonzaga gravou sua primeira música, até o final dos anos 1970, quando fez sua última turnê de shows pelo Brasil ao lado do filho Gonzaguinha, o homem reinou por todos os sertões brasileiros, de norte a sul, como o músico brasileiro mais popular.

Sua obra tornou nacionais três gêneros do sertão nordestino: baião, xaxado e xote.

A maioria das músicas para festas de São João que hoje animam quadrilhas por todo o país foi composta por ele e pelo sanfoneiro ítalo-paulista Mário Zan (1920-2006).


Mário Zan
O sucesso de Gonzaga popularizou como nunca os vários tipos de sanfonas (ou acordeons), estimulando a formação de instrumentistas por todo o país.

Dia desses vi pela televisão o sanfoneiro gaúcho Renato Borguetti esmerilhando um pot-pourri instrumental com obras de Gonzaga.


Renato Borguetti
Sanfoneiros de qualquer geração e de qualquer região do país aprenderam a tocar a partir do repertório de canções compostas ou gravadas por Gonzaga.

O maior fã de Gonzaga em Tupinambá era o sanfoneiro Lazinho, responsável pela animação dos “arrasta-pés” (bailes) e festas de São João.


Lazinho meio que incorporava a figura extrovertida do compositor ao interpretar sua obra. Até imitava o sotaque esquisito do “rei”: mistura de “o” e “e” abertos, proveniente do Nordeste, com o “r” puxado para o padrão italiano instituído nos palcos do Rio e de São Paulo.

Contava piadas maliciosas, imitava as pessoas, provocava os casais, dizia sutis obscenidades e não deixava ninguém se prostrar durante as festas. Igualzinho o “rei do baião”.

Somado ao que ouvia no rádio, às canções Asa branca e Assum preto que a professorinha nos ensinara na escola rural e, sobretudo, ao que vinha da sanfona e da voz de Lazinho nas festas, várias músicas de Gonzaga se entranharam para sempre na minha memória.

Na solidão do colégio interno para o qual fui mandado, quando batia saudade de casa vinha à mente No meu pé de serra. Em Tupinambá nem existe serra, mas a cantarolava com o coração embargado de emoção.



Gonzaga não competia com a grande tradição paulista de músicas sertanejas de viola. Pelo contrário, até inseriu algumas no seu repertório, como a
Moda da mula preta de Raul Torres. Assim como canções suas foram gravadas por duplas caipiras.



Meu único contato direto com Gonzaga foi como participante do Grupo de Teatro Pedra, de Brasília.

Entre 1974 e 1975, montamos um texto medieval de autoria anônima chamado Farsa do advogado Pathelin, o qual foi apresentado em vários locais, dentre eles um palco ambulante chamado Carrossel da Cultura.

Em certa data nosso espetáculo foi escalado para anteceder a uma apresentação de Gonzaga numa das cidades satélites. Quando chegamos lá, o público era enorme. Não para nos ver, claro.

Houve atraso na programação e quando nos preparávamos para entrar em cena, chegou Gonzaga com sua comitiva. óbvio que o público endoidou.

Deveríamos ter tido o bom-senso de desistir e deixar que o “rei” assumisse, mas teimamos em nos apresentar de qualquer forma, conforme o que fora programado.

Evidente que não conseguimos. Sequer ouvíamos as falas uns dos outros. Por fim tivemos de cair fora para que a voz e a sanfona do “rei” trouxesse a explosão de alegria que todos aguardavam ansiosos. E lógico que nós, do grupo, também ficamos por lá para usufruir dela...



Gonzaga foi o compositor brasileiro que melhor expressou a pobreza, as tristezas, as alegrias e as injustiças que permeiam a existência dos sertanejos de todo o país.

Por outro lado, o sertanejo não é um camarada fácil. É conservador, resistente às mudanças, individualista e teimoso. Para uns se unirem aos outros, os motivos precisam ser muito fortes. E qualquer desentendimento causa rápida desunião.

O sertanejo é um cabra desconfiado por natureza, precavido, “sistemático”, conforme ainda dizem na minha terra.

Tem bom humor, gosta de fazer chistes, mas não é chegado a conversa com aparência de séria. Já foi enganado tantas vezes que não acredita em ninguém. Para não se envolver com assuntos duvidosos, prefere se fazer passar por trouxa e aparentar que não está entendendo nada.

Hoje quase todas as casas do vilarejo rural Tupinambá têm TVs e em algumas há até computadores com internet fornecida por antenas de rádio. Mas os caboclos dentro dessas casas continuam arredios e desconfiados.

É uma gente também muito emotiva. Até a relação com a religiosidade é movida por impulsos emocionais. Ama-se um santo ou uma santa com devoção extrema, como se ama aos próprios pais, mulheres e filhos.

Mas não se engane com as aparências. O sertanejo pode facilmente se tornar passional, bruto. Quando ofendido, por razões a nosso ver banais, é capaz de absurdos como o de “lavar a honra” da forma mais estúpida e brutal.

É também de uma ignorância sem par com os animais. Um conhecido adotou uma capivarinha órfã. Aonde ele ia o bichinho estava atrás. O animal foi crescendo, sempre manso e afetuoso. Outro dia o vi sem ela e perguntei a respeito. Respondeu curto e grosso: “Matei e comi, uai!”

Viajei a trabalho pelos interiores de quase todo o Brasil. O sertanejo é mais ou menos assim por toda parte. Mudam-se os sotaques, as misturas étnicas, o meio, as referências culturais, mas as características são todas muito parecidas.

A canção Assum preto de Gonzaga e Humberto Teixeira – sobre a crueldade de um sujeito que cega o passarinho para que ele cante sem ter a tentação de fugir – parece ter sido composta lá no meu Tupinambá.

Formação do “rei”

Gonzaga veio de uma família de músicos. O pai Januário e os tios eram sanfoneiros amadores, como o Lazinho da minha terra. Ou seja, trabalhadores rurais com talento musical. Quando havia festas expunham as habilidades.

Gonzaga começou a tocar desde menino. Ajudava o pai na roça e nos bailes, nos quais os dois se revezavam na sanfona.


Família de sanfoneiros: Luiz, Januário e Zé
Já que ser sanfoneiro não era profissão, buscou a alternativa de vida comum a muitos garotos pobres do interior nordestino: servir o Exército. Alistou-se no Ceará e, na Revolução de 1930, foi parar na cidade de Juiz de Fora (MG).

A longa estadia na cidade mineira foi fundamental para sua formação.

Por lá conheceu o sanfoneiro e professor de música Domingos Ambrósio, que o ensinou a tocar sanfona de 120 baixos e outros ritmos populares: valsas, fados, tangos, sambas, chorinhos, etc.

Ambrósio também o ensinou a ler música e a ter noções básicas de harmonia. Em 1939, quando deu baixa no Exército, havia ampliado enormemente seu repertório e conhecimentos musicais.


Decidiu então que estava pronto para seguir a pretendida carreira artística. Primeiro tentou São Paulo, depois o Rio de Janeiro.

Na capital carioca apresentou-se nos bares da antiga zona do meretrício, nos cabarés da Lapa e em programas de calouros, tocando músicas instrumentais de gêneros variados. Ainda não cantava.

Durante uma das apresentações na qual tocava uma canção italiana, um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro: por que não tocava músicas de sua terra?

Gonzaga seguiu o conselho e passou não só a tocar como a compor e a cantar músicas baseadas no repertório do sertão nordestino.

Mas não foi com música de origem nordestina que obteve o primeiro sucesso. No programa do Ary Barroso recebeu calorosos aplausos pela execução do choro Vira e mexe, de sua autoria, o que lhe proporcionou o primeiro contrato pela Rádio Nacional, em 1941.

As roupas que usava nessa época nada tinham a ver com a indumentária que adotaria mais tarde. Trajava ternos com gravatas e chapéu, como outros artistas de palco do Rio de Janeiro.

Vira e mexe foi sua primeira gravação:




O apogeu da carreira de Gonzaga se deu da segunda metade da década de 1940 até meados dos anos 1950. Foi quando se consolidou como um dos artistas brasileiros mais populares de todos os tempos.

Asa branca, composição dele com Humberto Teixeira, é dessa época. A partir da migração de uma espécie de pomba, a letra sintetiza toda trajetória sofrida do sertanejo nordestino.



Somente a partir de 1953 Gonzaga passou a se apresentar trajado com roupas típicas: chapéu de couro, gibão e outras peças características da indumentária do vaqueiro nordestino.

Aliou-se a esta imagem a célebre sanfona Branca, a “sanfona do povo”, hoje cuidadosamente guardada no museu em seu nome na cidade de Exu (PE).

Volta pra curtir

Com o surgimento da bossa nova e de novos padrões na música popular brasileira, a grande popularidade do baião entrou em declínio.

Gonzaga, para não cair no esquecimento, passou a tocar pelo interior, de norte a sul do país, aonde ainda era muito popular.

Vieram os festivais com a música popular de protesto, o apogeu dos compositores urbanos de classe média, o tropicalismo e o grande repertório do “rei” parecia destinado a cair de vez no ostracismo.

Todavia, foi graças a músicos urbanos que admiravam sua obra – primeiro os “tropicalistas” Gilberto Gil e Caetano Veloso e, depois, o filho Gonzaguinha – que retomou seu espaço no cenário musical.

Gil e Caetano estiveram por trás das articulações para a realização do mais bem produzido espetáculo do “rei” – Volta pra curtir – que resultou na gravação do excelente álbum ao vivo no Teatro Tereza Rachel, Rio de Janeiro, em 1972.

O show marcou o reaparecimento de Gonzaga para as plateias urbanas.

O roteiro e a direção foram assinados pelos baianos Capinam e Jorge Salomão (irmão de Waly). O cenário foi desenhado pelos artistas plásticos Oscar Ramos e Luciano Figueiredo.

Mas o diferencial maior do espetáculo foi o grupo musical que o acompanhou. Entre vários cobras estava seu jovem afilhado Dominguinhos na sanfona e o piauiense Renato Piau na guitarra.

Ouçam uma mostra do que foi Volta pra curtir:




Volta pra casa e a reconciliação com o filho

Luiz Gonzaga não era pai biológico de Gonzaguinha. O “rei” conhecera a mãe deste, Odaleia, em 1945, em uma casa de shows da área central do Rio, na qual ela era corista e dançarina.

Ela estava grávida de outro quando passaram a namorar. Sabendo o quanto era problemático ser mãe solteira naquela época, Gonzaga decidiu se juntar a ela e assumiu a paternidade da criança, à qual deu seu próprio nome: Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior.

Mas o Gonzagão de então era muito boêmio e mulherengo. Desaparecia de casa com frequência por decorrência das farras. A relação dos dois foi ficando cada vez mais atribulada e o casal acabou se separando em menos de dois anos.

Odileia voltou a trabalhar como cantora e dançarina para criar o filho, mas Luiz a ajudava financeiramente e visitava o menino como pai.

Em 1946, Luiz voltou à sua cidade natal, Exu, e reencontrou seus pais, que havia anos não sabiam nada sobre ele.

O reencontro foi narrado na composição Respeita Januário, em parceria com Humberto Teixeira.




Ao regressar ao Rio, em 1946, conheceu a professora pernambucana Helena Cavalcanti, tão conservadora e teimosa quanto ele.

Helena, além de esposa, tornou-se sua agente. Cuidava da agenda de shows e de seu patrimônio financeiro. Por ela ser estéril, o casal adotou uma menina.

Em 1947, a mãe de Gonzaguinha morreu de tuberculose. Luiz quis levar o menino para morar com ele e Helena, mas esta não aceitou.

Ele então o entregou aos cuidados dos padrinhos de batismo, seus amigos Dina e Xavier, que eram moradores do Morro do São Carlos.

Os anos se passaram e Luiz não conseguia se dar bem com o filho. O rapaz jamais aceitou o fato de o pai ter ficado com a esposa e aberto mão de criá-lo.

Gonzaga passou a visitá-lo cada vez menos. Nos poucos encontros, Gonzaguinha sempre discutia muito com ele.

Gonzaguinha então contraiu tuberculose e quase morreu. Luiz o pegou de volta e o levou a força para a Ilha do Governador, onde morava.

As brigas com Helena passaram a ser frequentes e Gonzaga mandou o filho para um internato. Gonzaguinha mais tarde concluiu curso superior – formou-se em economia – mas optou por se tornar músico como o pai.


Gonzaguinha
Depois de muitos conflitos, pai e filho acabaram muito amigos e parceiros de várias composições. Em 1979, viajaram o Brasil em extensa turnê. Gonzaguinha também cuidou do pai nos seus últimos anos de vida.

Filho e pai
Uma fatalidade encurtou a bem-sucedida carreira de Gonzaguinha. O músico morreu em um acidente de carro, em 1991, ao retornar de uma apresentação no Paraná.

A seguir, improviso de pai e filho sobre a famosa parceria dos dois, Vida de viajantes, tendo ao piano o músico mineiro Wagner Tiso.


O cineasta Breno Silveira dirigiu, em 2012, o longa Gonzaga — de pai para filho, cuja exibição atingiu a marca de um milhão de espectadores. Veja o filme:




Na fazenda adquirida em Exu, sua terra natal, o “rei” construiu o Museu do Gonzagão, localizado às margens da BR-122, dentro do Parque Aza Branca (escrevia desta forma por pura superstição, embora soubesse do erro ortográfico).

Lá se encontra o maior acervo de Gonzaga: suas principais sanfonas, inclusive a que tocou para o papa João Paulo II em Fortaleza, suas vestimentas, seus discos de ouro, troféus, diplomas, títulos, fotos e presentes a ele ofertados ao longo da carreira.


Entrada do museu
Além do museu, o parque abriga o mausoléu da família, lanchonete, grande palco de shows, várias suítes para acolhimento de visitantes, a casa de Januário, uma lojinha de souvenir e a casa grande de onde Gonzaga observava a sua pequena Exu nos últimos anos de vida.

Em 2012, no ano do centenário do "rei do baião", foi a vez de um dos grandes discípulos de Gonzaga – Dominguinhos – prestar sua homenagem ao mestre.

O músico foi o personagem principal do documentário Dominguinhos canta e conta Gonzaga, dirigido por Maurício Machada. No filme, também conta a sua própria história.

Quando conheceu Gonzaga, o então menino Dominguinhos tocava nas ruas de Recife com o nome de Nenê do Acordeom. Gonzaga o levou para o Rio, proporcionou-lhe estudos superiores de música e sustentou sua família até que a carreira decolasse.

Vejam o documentário na íntegra:




Dominguinhos canta e conta Gonzaga foi o segundo documentário que Machada dirigiu com a participação do compositor. Em 2010, gravou com ele um filme sobre São João (São João de Dominguinhos), no qual acompanhou o músico nas festas.

Gonzaga deixou mais de 500 composições

Luiz Gonzaga gravou mais de 600 canções, a maioria compostas por ele.

Escolher sua melhor música é uma tarefa ingrata, tal como escolher “a melhor” dentre o legado de grandes compositores como Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Adoniran Barbosa e Lupicínio Rodrigues.

Entre dezenas de canções geniais do “rei”, a que mais gosto é Pau de arara, dele e de Guio de Moraes, composta em 1952.




A seguir, a relação dos álbuns de Gonzaga gravados entre 1951 até o ano de sua morte (1989):

1951 — Olha pro céu
1954 — A história do Nordeste
1954 — Luiz Gonzaga e Januário
1956 — Aboios e vaquejadas
1957 — O reino do baião
1958 — Xamego
1961 — Luiz "LUA" Gonzaga
1962 — Ô veio macho1962 — São João na roça
1963 — Pisa no pilão (Festa do milho)
1964 — A triste partida
1964 — Sanfona do povo
1965 — Quadrilhas e marchinhas juninas
1967 — O sanfoneiro do povo de Deus1967 — Oia eu aqui de novo
1968 — Canaã
1968 — São João do Araripe
1970 — Sertão 70
1971 — O canto jovem de Luiz Gonzaga1971 — São João quente
1972 — Aquilo bom!
1972 — Volta pra curtir (ao vivo)
1973 — Luiz Gonzaga1974 — Daquele jeito...
1974 — O fole roncou
1976 — Capim novo
1977 — Chá Cutuba1978 — Dengo maior
1979 — Eu e meu Pai
1979 — Quadrilhas e marchinhas juninas, vol. 2 — Vire que tem forró
1980 — O homem da terra
1981 — A festa
1981 — A vida do viajante — Gonzagão e Gonzaguinha1982 — Eterno cantador
1983 — 70 anos de sanfona e simpatia
1984 — Danado de bom
1984 — Luiz Gonzaga & Fagner
1985 — Sanfoneiro macho
1986 — Forró de cabo a rabo
1987 — De fiá pavi
1988 — Aí tem
1988 — Gonzagão & Fagner 2 — ABC do sertão
1989 — Vou te matar de cheiro
1989 — Aquarela nordestina
1989 — Forrobodó cigano
1989 — Luiz Gonzaga e sua sanfona, vol. 2

Clique aqui para ouvir algumas músicas gravadas por Gonzaga.

Principais parceiros

Os dois principais parceiros de Luiz Gonzaga foram Zédantas e Humberto Teixeira. Pernambucanos como ele, mas moços estudados, intelectuais, provenientes de famílias da burguesia rural.

José de Souza Dantas Filho, o Zédantas, deixou o sertão do Alto Pajeú em 1921 para estudar medicina em Recife. A partir dos anos 1940, conciliou a vida de médico com a de compositor de xotes, baiões e toadas.

Em 1947, Gonzaga veio a Recife para um show e Zédantas o procurou no hotel onde estava hospedado para lhe mostrar duas composições: Vem morena e Forró do Mané Vito, que foram gravadas pelo “rei” em 1949.



Zédantas nunca estudou música e nem sabia tocar qualquer instrumento. Compunha marcando os compassos com o auxílio de uma caixa de fósforo.

Tinha muita facilidade de fazer versos e fez letras com vários parceiros do Rio de Janeiro. Inclusive para outros gêneros musicais, como sambas e marchinhas.

Foi importante pesquisador e divulgador da cultura popular nordestina.

Tal como o compositor paulista Adoniran Barbosa, também foi famoso como humorista de rádio em Recife e, depois, no Rio.

Ele e Gonzaga compuseram cerca de 50 canções, a maioria entre os anos 1950 e 1957.

Suas letras abordam temas da rica cultura sertaneja nordestina: festas, novenas, vaquejadas, hábitos rurais, forrós, casamentos, folguedos juninos, práticas medicinais e agrícolas, artesanato, poesia popular e, ainda, o encontro do matuto com o homem da cidade.

Em 1959 organizou, por solicitação de uma gravadora, uma coletânea dos seus maiores sucessos em parceria com Luiz Gonzaga, com um texto explicativo de sua autoria.

Trata-se do álbum Luiz Gonzaga canta seus sucessos com Zédantas.



Entre as várias composições de Zédantas com Gonzaga destaco: Vem morena, Cintura fina, A volta da asa branca, Sabiá, Acauã, São João na roça, Tudo é baião, O xote das meninas, Vozes da seca, Algodão, Noites brasileiras e Riacho do navio.

Humberto Cavalcanti Teixeira foi autor da letra da música mais conhecida de Gonzaga: Asa branca.

Embora tivesse o hábito de escrever versos com os desvios da língua oral, como em Assum preto, Teixeira foi advogado, editor de jornal e político.



Diferente de Zédantas, Teixeira fez conservatório de música, tornando-se multi-instrumentista: tocava sanfona, violão, flauta, piano e bandolim.

Em 1943, quando se formou em ciências jurídicas e sociais no Rio de Janeiro e não conhecia Gonzaga, já tinha composto sambas, marchas, xotes, sambas-canções e toadas.

Em 1944, gravou a primeira música de sua autoria, em parceria com Lírio Panicalli: o samba apoteótico Sinfonia do café, cantado por Deo.

Seu encontro com Luís Gonzaga se deu em agosto de 1945. Em conversa animada surgiu a intenção de valorizar o baião, ritmo nordestino que já havia sido introduzido no ambiente cultural carioca.

Surgiu naquele mesmo ano o primeiro sucesso da dupla: No meu pé de serra. Em 1947, a dupla compôs Asa branca.


Teixeira e Gonzaga

Entre composições próprias e com outros parceiros, Teixeira deixou Kalu, para a cantora Dalva de Oliveira e Adeus, Maria Fulô, com Sivuca, para Carmélia Alves.

A seguir, Kalu com Gal Costa e Adeus, Maria Fulô com Os Mutantes.




No ano de 1954, Teixeira candidatou-se a deputado federal, passando dois meses em campanha no sertão cearense, apoiado por Gonzaga. Teixeira elegeu-se e na Câmara Federal empenhou-se na aprovação da primeira legislação brasileira sobre direitos autorais.

Com boas relações no exterior, batalhou muito para divulgar a música popular brasileira em outros países.

Graças a ele, músicos como Valdir Azevedo, os acordeonistas Sivuca e Orlando Silveira, o Conjunto Radamés Gnatalli, o maestro Quincas e seus Copacabanas e muitos outros conseguiram levar seu trabalho para palcos internacionais.

Além de Asa branca e Assum preto, a dupla com Luiz Gonzaga rendeu inúmeros sucessos, dentre os quais Mangaratiba, Juazeiro, Paraíba, Qui nem jiló, Xanduzinha, Baião, Lorota boa, Estrada de Canindé, Respeita Januário e Meu pé de serra.


A seguir, a primeira das muitas gravações de Juazeiro feitas pelo "rei".


Em 2009, uma das filhas de Teixeira, a atriz Denise Dumont, produziu um documentário sobre a vida do pai: O homem que engarrafava nuvens.


O irmão Zé Gonzaga

Zé Gonzaga foi cantor, compositor e sanfoneiro. Segundo o pai de ambos, Januário, tão bom quanto o famoso Luiz. Teve ajuda do irmão apenas no início. Depois seguiu rumos próprios.


Zé Gonzaga
Os dois não foram parceiros, mas vários dos grandes sucessos do “rei”, como O cheiro da Carolina, foram compostos por Zé Gonzaga.



Zé Gonzaga começou cantando em programas de calouros em Recife. Em 1948, já no Rio a convite do irmão, foi contratado pela Rádio Guanabara.

Em 1949 lançou o seu primeiro disco, interpretando na sanfona os choros Teimoso, dele próprio, e Vira o outro lado, de Cipó.

Deixou centenas de composições – algumas com o grande parceiro do irmão, Humberto Teixeira – e dezenas de bons álbuns.

Seu repertório foi mais eclético que o do irmão famoso. Além de baiões, xotes e xaxados, compôs e gravou vários choros e marchas de Carnaval.

Em 1957, formou um regional de choro com o qual passou a se apresentar e a gravar. Zé Teixeira e seu regional fizeram vários shows no Uruguai e na Argentina, onde gravou um álbum instrumental só de tangos com músicos argentinos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário