segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Oficina Acompanhando o Autor tem inscrições prorrogadas

Foto de Ana Stevenson

Objetivo: oficina on-line de literatura sobre o processo de criação e edição de um livro.

Vagas: 20 inscritos

Aplicação: aberta ao público em geral com acompanhamento de informações publicadas neste blog. Os 20 inscritos participarão mais ativamente, tendo interlocução direta com o autor.

Toda semana os participantes receberão informações e sugestões de atividades.

Inscrições: Até 4 de novembro de 2013

Para realizar as inscrições: envie e-mail com nome, telefone e e-mail para contato para: silva.borges@gmail.com  ou pelo formulário de contato do blog.

Seleção: primeiros inscritos

Divulgação da seleção: 6 de novembro

Início da oficina: 8 de novembro

Término da oficina: 20 de dezembro


Obs: os 20 participantes receberão certificados, com carga horária de 30 horas.





quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Oficina permanente


Tenho o compromisso com o Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC), vinculado à Secretaria Municipal de Cultura, de oferecer uma oficina e quatro palestras sobre literatura.

Trata-se de contrapartida pelos recursos de subvenção cultural concedidos para a edição do romance O Homem que Sabia Ouvir, de minha autoria.

Este blog é o veículo no qual se hospeda a referida oficina.

Além de cumprir uma programação, poderá se constituir em um espaço de veiculação de informações para pessoas que gostam de literatura (e outras artes) se mostrem, digam o que pensam e o que fazem.



Foto de Amandine Noyée


Em outras palavras, além de me referir diretamente a aspectos inerentes à produção do livro, vários assuntos sobre as artes em geral serão aqui abordados, por mim ou pelos colaboradores. É o que espero.

O blog será atualizado com base em tópicos temáticos nos quais se estrutura a programação da oficina. Esperarei um tempo até que os assuntos tratados numa edição se esgotem e só então postarei uma nova.

Venho escrevendo o livro desde a época em que trabalhava com teatro, nos anos 1980. Comecei pelas fábulas, idealizadas inicialmente para um espetáculo cênico que acabou não se concretizando.

Foram então adequadas para narrativas em prosa e, por fim, conjugadas a um argumento principal, em formato de conto, para compor um gênero literário híbrido que chamo de romance, por falta de denominação mais apropriada.

Há duas referências de tempo.

A do momento presente, relativa ao conto, que introduz situação limítrofe vivida pelo protagonista, da qual resultará o desfecho.

E a das fábulas, às quais estão relacionadas as passagens rememoradas pelo personagem principal.

Como se tornar escritor

Reza a lenda de que à sombra da literatura de entretenimento, que sustenta o mercado editorial, resiste uma outra literatura referencial menos integrada.

Supõe-se que tal literatura exija maior esforço construtivo por parte de quem a produz e, por seu lado,  maior empenho para assimilá-la por parte dos que a consomem.

Assim sendo, talvez tal literatura exiba também alguns graus de dificuldade.

Qualquer que seja a literatura, referencial ou de entretenimento, entende-se que para produzi-la o candidato a escritor tenha algumas qualidades: repertório, dedicação, talento...

Também reza a lenda que o talento seja nato de cada um. Sou levado a crer que quem não o desenvolve morre na praia. Estaca-se na performance espontânea e vira motivo de chacota: “Tá lento!”...

Literatura, por princípio

Literatura vem de littera, que quer dizer letras. Assim sendo, tudo que se fixa pelo meio letras é literatura: romances, contos, poemas, textos dramáticos, obras científicas, biografias, notícias de jornais, receitas de bolo, etc.

Não tem propriamente caráter fictício ou imaginário. Mesmo no universo das chamadas “belas letras”, no qual se insere a literatura de ficção,  há literatura ficcional e não ficcional.

Exemplos de literatura não-ficcional: Sermões (Antônio Vieira), Carta a meu pai (Kafka), Memórias do cárcere (Graciliano Ramos), Cartas aos poderes (Antonin Artaud) e Os sertões (Euclides da Cunha).


O poeta francês Antonin Artaud
 
Por princípio, a literatura surgiu com a escrita? Não necessariamente.

Os primeiros registros de escrita literária foram de origem oral, transmitidos boca a boca por gerações e mais tarde transpostos para letras por escribas.

A seguir, algumas das obras mais antigas da história da literatura. Quase todas de tradição oral...

Qual é superior?

Prosa e poesia constituem a falsa aparência de que a literatura se divide em dois campos. Mas será que prosa é meramente texto corrido e poesia texto em versos?

Se assim for, entre os dois grandes escritores uruguaios do último simbolismo francês – Isadore Ducasse e Jules Laforgue – quem foi o poeta e quem foi o prosador?


Suposta foto de Isadore Ducasse
Retrato oval de Jules Laforgue
     
Mesmo que se defina territórios, alguns dos melhores poetas e prosadores dentre os quais os dois acima citados ultrapassaram quaisquer limites.

Poesia e prosa (e todas as formas de arte) são regidas pela linguagem, seus fundamentos e inferências formais.

Tratar as palavras em encadeamento rítmico ou contar histórias com variações estruturais, tanto a poesia quanto a prosa fazem...

Prosa e música

James Joyce referia-se à sua obra máxima – Finnegans Wake – como uma “sinfonia”.

Seu primeiro livro, de poemas, chamava-se Música de Câmara. batizado, segundo ele, a partir do som de urina num penico: chamber pot.

Reúne poemas líricos, de influência simbolista, feitos como letras de música. Um dos – Golden Hair – foi musicado pelo compositor inglês Syd Barrett, fundador da banda Pink Floyd.

Barrett compôs e interpretou a maior parte das canções do primeiro disco do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn. Depois, mesmo pirado, gravou dois belos discos.

Um deles, The Madcap Laughs, inclui o poema de Joyce musicado. A interpretação de Golden Hair, a seguir, foi gravada pelos colegas de Barrett na clínica na qual ele se encontrava internado.



A música permeia toda obra de Joyce. Ele estudou música e foi bom cantor. Quando jovem, esteve em dúvida entre a música e a literatura. Talvez tenha ficado entre ambas...

Canto falado

Em arte como em sexo, a cada dia se descobre mais diferenças. Algumas até bizarras. O certo é que numa e noutro as fronteiras são convencionais.

Na arte há as limitações impostas pela academia, pelos meios de comunicação, pelo mercado, pela linguagem, pelo repertório de cada artista, pelas limitações e escolhas do público.

Em sexo...

Bom, não é esse o assunto do blog. Fiquemos por aqui.

Tratando-se de literatura, temos poesia em prosa, prosa poética, poesia visual, canto falado. O diabo a quatro!

Um dos mais belos e perfeitos exemplos de canto falado (sprechgesang em alemão) é Pierrot Lunaire, composição de Arnold Schöenberg, de 1912, a partir de textos do poeta simbolista belga Albert Giraud vertidos para o alemão por Otto Erich Hartleben...

Busca inglória pela perfeição

Escritor algum é indispensável. Mas os que procuram fazer com que os gêneros literários avancem para rumos mais interessantes se esforçam para parecer o contrário.

Talvez seja até por isso que passem despercebidos do grande público que flui para as livrarias, para os sites de encomenda de livros ou para as compras de livros digitalizados.

Muitos dos clássicos – a presumível alta literatura – nem de longe representam o que de melhor foi produzido na época em que foram concluídos.

Tampouco as escolhas consensuais das editoras, dos meios de comunicação e, principalmente, do público converge para o que é melhor.

Inclusive porque o que é bom é pouco digerível – não necessariamente chato – e exige esforço maior dos leitores. O que leva a ter pouco apelo comercial.

No entanto, alguns bons escritores – como o o norte-americano Howard Philips Lovecraft, o brasileiro Nelson Rodrigues e o russo Fiódor Dostoievski – produziram literatura popular e suas obras foram fartamente consumidas.

 
H.P. Lovecraft
 
Nelson Rodrigues
 
Fiódor Dostoievski
                                           
Lovecraf, o da primeira fotografia acima, foi assim como seu conterrâneo Edgar Allan Poe um dos melhores escritores de contos de todos os tempos...