sábado, 16 de abril de 2016

Um dia para sempre registrado por James Joyce

Em artigo anterior escrevi sobre a primeira das três obras mais importantes de James Joyce (1882-1941), o conto The dead (Os mortos), publicado no livro Dubliners (Dublinenses), de 1914, o qual reúne outras 14 histórias curtas.

Anunciei também que escreveria sobre suas duas obras fundamentais: o romance Ulisses, publicado em 1922, e a novela picaresca e panlinguística Finnegans wake, publicada em 1939. Segue, agora, o artigo sobre Ulisses, em breve publicarei o último sobre Finnegans wake.

A ideia é fornecer subsídios e estimular os leitores a se aventurarem a lê-las. Aliás, aventuras bastante difíceis, em ambos os casos, para qualquer tipo de leitor, inclusive os de língua inglesa.



James Joyce

O conto The dead tem construção complexa, mas segue ainda o modelo dos grandes prosadores realistas do século XIX admirados pelo escritor irlandês: o francês Gustave Flaubert (1821-1880) e o russo Anton Tchekhov (1860-1904).
Anton Tchekhov
Com Ulisses, James Joyce inicia uma grande revirada na prosa moderna, cujo desfecho mais radical foi Finnegans wake, concluído quando já havia perdido a visão de um olho e 70% do outro.

Ulisses e Finnegans wake, juntos, motivaram cerca de três mil estudos catalogados sobre a obra de Joyce em todo o mundo. Sem dúvida, ele é o prosador moderno mais importante.

Embora tão estudado e conhecido – há até uma data comemorativa à sua obra de Joyce, alusiva ao dia em que se passa o romance Ulisses, 16 de junho de 1904, quando se comemora em vários países o chamado Bloomsday –, Joyce continua pouco lido, dada a complexidade de suas duas últimas grandes obras.

Cartaz alusivo ao evento Bloomsday
Mesmo quanto ao romance Ulisses, que possibilita leitura mais acessível, é grande o número de leitores que a iniciam e não conseguiram chegar ao final. Daí ouvimos os bordões comuns no que se refere ao livro: “É muito chato”, “Nada acontece”, “É incompreensível”, etc.

Finnegans wake é talvez a obra em prosa de assimilação mais difícil da história da literatura. Além das múltiplas referências simbólicas, é uma Babel de montagens e jogos de palavras em 18 idiomas.

Os três artigos que me propus a produzir visam, como já disse, fornecer informações que auxiliem e estimulem as pessoas a tentarem lê-las e desvendá-las.

O que posso afirmar, com certeza, é que sem assimilar a obra de Joyce é impossível o leitor afirmar que conhece a extensa cordilheira da prosa moderna.

Isso sem qualquer menosprezo a outros grandes autores modernos como Céline, Borges, Lezama Lima, Musil, Biéli, Kafka, Mann, nosso Guimarães Rosa e outros igualmente importantes.


Ocorre que Joyce é o pico mais elevado dessa cordilheira...