segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Bolan pra frente


Outro dia vi postagem sobre o grupo de rock inglês T.Rex, dissolvido nos idos anos 1970, e me veio à memória a curiosa figura do seu líder, o guitarrista, compositor e vocalista Marc Bolan (1947-1977).
Marc Bolan
Bolan foi um dos primeiros astros performáticos do rock, antes mesmo de David Bowie, Lou Reed, Alice Cooper, o stone Mick Jagger e outros entrarem nessa.
A primeira vez que li considerações a seu respeito foi numa edição da revista Rolling Stone norte-americana.
O trocadilho do título é referente à gíria “pra frente” da época da nossa ingênua Jovem Guarda, muito usada principalmente pelo “rei” Roberto Carlos.
Marc Bolan se lançou como um sujeito avançado do rock, "pra frente". Bonito, bom músico, bom ator, bom inventor de histórias e bastante inovador no contexto dos shows ao vivo.
Representava um personagem andrógino. Moda que pegou muitos artistas pops da época, em especial aqueles que se dedicaram aos shows performáticos.
O personagem Marc Bolan misturava, de forma paradoxal, a aparente feminilidade de sua imagem e voz com o som pesado de sua guitarra, que em algumas canções antecipou o heavy metal.
Visualmente era muito interessante essa mescla. Bolan era mesmo muito bom de palco. Estava o tempo todo centrado no personagem – inclusive durante entrevistas – e mantinha boa qualidade como instrumentista e cantor.
Com todas suas roupas, recursos de maquiagem, a cabeleira de mulato, etc., fazia uma figura altamente sensualizada, dúbia...



sábado, 18 de fevereiro de 2017

De Eliot a Chandler “the women come and go talking of Michelangelo”

Em sua História da literatura ocidental, Otto Maria Carpeaux (1900-1978) sustenta que a literatura policial teria se originado do romantismo gótico do século XVIII, a partir de obras como o drama em versos Fausto, de Wolfgang Goethe (1749-1832),  os contos de suspense e mistério do alemão Ernest Hoffmann (1776-1822) e o já popularesco Frankenstein, de Mary Shelley (1797-1851). 
Acredita-se que o marco do surgimento do gênero se deu em 1841, quando Edgar Allan Poe (1809-1849) publicou nas colunas de um periódico da Filadélfia, o Graham's Magazine, o conto The murders in the Rue Morgue (Assassinatos na Rua Morgue).
Edgar Allan Poe
Nos anos seguintes, mais duas histórias de Poe com o mesmo formato policialesco foram publicadas: The nustery of Marie Rogêt (O mistério de Mary Roget), em 1842, e The purloined letter (A carta roubada), em 1845.
Paralelamente, Poe publicava contos de outra natureza – fantásticos, de horror, de suspense, de ficção histórica e outros gêneros – reunidos mais tarde no volume Histórias extraordinárias, como foram denominadas no Brasil.
A gênese da literatura policial está associada ao advento da cultura de massa, principalmente a partir de meados do século XIX, que possibilitou a popularização dos jornais, revistas e folhetins.

Outros gêneros popularescos similares surgiram nesse período: a literatura fantástica, a literatura de ficção científica e a literatura de horror e suspense.
Mas realmente o DNA de todos remete mesmo aos folhetins góticos do romantismo, como assevera Carpeaux...